Está no Blog do Valdo Cruz
Investigadores à frente do inquérito que apura a atuação de milícias digitais contra a democracia avaliaram ao blog nesta quarta-feira (24) que a operação [1] da Polícia Federal [2] que mirou empresários nesta terça (23) dificultará o financiamento de atos golpistas.
Após ordem de Moraes, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a oito empresários [1] que compartilharam mensagens golpistas em um grupo de mensagens de um aplicativo.
O site Metrópoles informou que esses empresários, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro [3] (PL [4]), defenderam um golpe de Estado caso o candidato à reeleição perca em outubro; todos negam ter defendido golpe.
Segundo apurou o blog, além das mensagens trocadas, a operação também foi baseada no fato de que a Polícia Federal já vinha investigando parte dos empresários desde as manifestações do Sete de Setembro do ano passado, quando apoiadores de Bolsonaro foram às ruas defender pautas antidemocráticas e inconstitucionais. Na ocasião, o próprio presidente discursou fazendo ameaças golpistas [5].
O principal objetivo da investigação, agora, é descobrir quem estava financiando essas manifestações. A PF encontrou vários indícios de que esses atos têm como fonte de recursos um mesmo grupo, já que o material usado é padronizado.
Os investigadores avaliam que a operação desta terça vai coibir e inviabilizar financiamentos de atos antidemocráticos a partir de agora.
Divergência entre Moraes e Aras
A operação de terça-feira gerou um atrito [6] entre o ministro Alexandre de Moraes [7], que atendeu a um pedido da Polícia Federal, e o procurador-geral da República, Augusto Aras.
Após a operação contra os empresários, Augusto Aras divulgou uma nota afirmando não ter sido informado [6] oficialmente sobre a decisão de Alexandre de Moraes.
Horas depois, o gabinete do ministro do STF [8] se pronunciou sobre o caso e disse que, sim, a Procuradoria Geral da República havia sido notificada [6].
Augusto Aras, integrantes do Palácio do Planalto e empresários reclamam da operação, criticando a quebra do sigilo bancário e o bloqueio de contas bancárias dos empresários.
Para eles, uma conversa em um grupo de mensagens não justifica tal decisão.
Investigadores ainda não se pronunciaram publicamente sobre essas críticas.
Foto: site Pragmatismo Político