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Para que não digam depois que votaram em Flávio por engano

por Ricardo Noblat, em seu Blog

Ah, mas que bobagem, dizem os defensores da candidatura do extremista de direita Flávio Bolsonaro à Presidência da República. E prosseguem: foi só mais uma jogada política dele para agradar ao seu eleitorado. Referem-se ao anúncio feito por Flávio de que, tão logo tome posse, irá “mudar a Constituição” para, assim, redemocratizar o país. O que significa, em suma, que não existe democracia por aqui.

Isso suscita a questão sobre o que Flávio entende por democracia. Para ele, em 1964, não houve um golpe militar, mas sim “uma revolução” para salvar a democracia do comunismo. No mais, não importa que o golpe tenha implantado uma ditadura que se estendeu por 21 anos, torturou, matou e sumiu com os corpos de muitos dos seus oponentes para, no final, fracassar e bater em retirada.

Flávio pensa a mesma coisa sobre a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, que resultou na condenação de seu pai a 27 anos e 3 meses de prisão. O que o Brasil assistiu pela televisão, na opinião dele, não passou de uma ação desesperada de pessoas acampadas às portas de quartéis e que, legitimamente, protestavam contra a eleição de Lula. Afinal, elas tinham o direito de expressar seu pensamento.

Deu na invasão e vandalização das sedes dos Três Poderes da República (Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal)? Infelizmente, sim. Mas havia, em meio à turba descontrolada, agentes da esquerda infiltrados que estimularam a baderna, segundo Flávio. Os culpados foram eles, não a massa de bolsonaristas convocada para participar da “Festa da Selma”.

A palavra “Selma” é uma alusão direta a “Selva!”, o tradicional grito de guerra do Exército Brasileiro, amplamente adotado por grupos de extrema-direita e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. O uso desse tipo de jargão de mobilização ganhou tração logo após as eleições de 2022, impulsionado por narrativas alinhadas a articuladores internacionais da extrema-direita.

Coincidência ou não, a mulher do almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha — o único chefe militar que pôs suas tropas à disposição de Bolsonaro para dar o golpe —, chama-se Selma Foligne Crespio de Pinho. Garnier Santos cumpre pena em regime fechado na Estação de Rádio da Marinha, uma instalação militar no Distrito Federal. Foi condenado a 24 anos de prisão.

A exemplo do pai, que lhe deu como missão libertá-lo, o que disse e fez Flávio no passado, e o que diga ou venha a fazer agora, merece ser escrutinado sem dó nem piedade. Porque ele está a poucos passos de ser eleito (tomara que não seja). E para que ninguém, no futuro, possa alegar que não o conhecia muito bem ou que votou nele por engano.

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