Uma parceria entre a Universidade de Oxford e Universidade Birmingham, no Reino Unido, Instituto Evandro Chagas, no Pará, Fiocruz Salvador/BA e Ministério da Saúde resultará em uma pesquisa sobre a epidemiologia molecular do vírus Zika. É o mais amplo estudo realizado no Brasil e no mundo atualmente.
No Brasil a pesquisa é coordenada pelo Prof. Dr. Márcio Nunes, pesquisador do Instituto Evandro Chagas, e pelo Prof. Dr. Luis Alcântara, da Fiocruz Salvador/BA, que irão percorrer cinco capitais da Região Nordeste, começando por Natal/RN, para coleta de amostras para obtenção de 750 genomas do vírus Zika, incluindo amostras de humanos e de mosquitos do gênero aedes. A coordenação geral da pesquisa é do Prof. Dr. Nick Loman, da Universidade Birmingham, e tem como representante da Universidade de Oxford o Prof. Nuno Faria.
A coleta das amostras foi iniciada nesta sexta-feira, 3, em Natal, onde os pesquisadores permanecem até o domingo, dia 5, quando seguem para João Pessoa/PB, Recife/PE, Aracaju/SE e Salvador/BA. O trabalho conta com o apoio do Ministério da Saúde (MS), por meio da Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB). Em Natal as amostras estão sendo coletadas no Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Norte Dr. Almino Fernandes (Lacen).
O equipamento Mini Ion, produzido pela empresa Oxford Nanopore e cedido para a pesquisa, faz o processamento dos dados, que são divulgados em tempo real no site do projeto Zika in Brazil Real Time Analysis, o zibraproject.github.io [1] Até o dia 15 de junho todas as amostras serão coletadas e processadas e a previsão é de que um relatório final seja emitido até o dia 25.
“A pesquisa vai gerar dados importantes a respeito da diversidade desse vírus; pretendemos dar informações sobre o genoma e entender a dinâmica do vírus no Brasil, o que poderá ajudar no desenvolvimento de vacinas e testes moleculares mais eficazes”, explica o Prof. Dr. Márcio Nunes, do Instituto Evandro Chagas. O estudo irá contribuir ainda com o diagnóstico diferencial de Zika, Dengue e Chikungunya.
Segundo o pesquisador, o aumento do número de informações genéticas em relação ao vírus Zika será bastante relevante para o desenvolvimento de diagnósticos específicos para estudo da epidemiologia molecular e origem viral. “Os estudos existentes mostram que o vírus veio da Ásia, mas ainda há lacunas a serem preenchidas com informações mais precisas sobre a origem e a dispersão do vírus no Brasil”.