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A temperatura nos corredores de Brasília aumentou na semana que passou, com debates acalorados e posicionamentos divergentes, após a Câmara dos Deputados [1] aprovar, em procedimento relâmpago, a urgência do projeto de lei que equipara aborto a homicídio [2] – e prevê penas de até 20 anos para mulheres que interromperem a gestação após 22 semanas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quebrou o silêncio e se manifestou, nesse sábado (15), sobre o tema. Ele disse “ser contra o aborto”, porém condenou a proposta que tramita no Legislativo e classificou como “insanidade” a possibilidade de punir uma mulher estuprada [3] que comete aborto com uma pena maior do que a aplicada ao estuprador.
“Eu sou contra o aborto. Entretanto, como o aborto é a realidade, a gente precisa tratar o aborto como questão de saúde pública. Eu acho que é insanidade alguém querer punir uma mulher numa pena maior do que o criminoso que fez o estupro. É no mínimo uma insanidade isso”, disse Lula.
No próprio Legislativo, a proposta também gerou um novo racha entre os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e do Senado, Rodrigo Pacheco [4] (PSD-MG). Eles seguiram rumos opostos: ao contrário de Lira, Pacheco enfatizou [5]que a matéria será analisada “sem pressa” e cumprirá o rito tradicional na Casa Legislativa.
Diante da repercussão, Lira recuou e disse que o PL não tem data para ser votado na Câmara. No Senado, os parlamentares começarão a discutir o tema em uma sessão temática de debates no plenário, nesta segunda-feira (17). A agenda foi convocada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), declaradamente contra o aborto.
Repercussão nas redes e nas ruas
Ainda no Congresso, parlamentares tem expressado apoio ou repúdio ao projeto de lei. Nas redes sociais, as manifestações dos cidadãos se multiplicaram e a situação encheu as ruas, desde a última terça-feira (11), com atos contra e a favor da aprovação do projeto em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais brasileiras.
Imagem reproduzida da Internet