Está no Blog da Julia Duailibi
A troca no comando do Ministério das Minas e Energia [1] feita por Jair Bolsonaro [2] (PL [3]) nesta quarta-feira (11) pode ser um sinalização aos eleitores no presidente, mas não deve ter influência no preço dos combustíveis.
Nesta quarta, Bolsonaro tirou Bento Albuquerque e colocou como ministro Adolfo Sachsida [4], então secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, pasta comandada por Paulo Guedes – a quem Adolfo é visto como “bem fiel”, segundo fontes.
A mudança é mais uma em meio à escala de preços dos combustíveis. Além do almirante Bento Albuquerque, o general da reserva Joaquim Silva e Luna foi tirado da presidência da Petrobras [5] e o também almirante e ex-comandante da Marinha Eduardo Bacellar saiu da chefia do conselho de administração da estatal. Estas trocas aconteceram nos últimos meses.
Agora, à frente do MME estará Adolfo Sachsida. Fontes avaliam ele como a um técnico muito alinhado ao Bolsonaro, antes mesmo de ele chegar à Presidência. A proximidade aumentou com Sachsida dentro do governo, mas pessoas próximas consideram que ele “não concordaria com nenhuma intervenção direta” na Petrobras [5].
“Parecem as demissões na Petrobras [5]. Troca por alguém que apoia a política anterior”, diz essa fonte, que reconhece a alta nos combustíveis como uma questão que “tem incomodado muito o governo”.
O novo ministro deu há poucos meses sua opinião sobre três temas sensíveis: o Vale-Gás, a política de preços da Petrobras [5] e a criação de um fundo estabilizador para amenizar os impactos da alta no preço do petróleo e aumento do Dólar – bases para o preço dos combustíveis.
“Se eu criar medidas que gerem receio sobre a consolidação fiscal, risco país sobe, real se desvaloriza, combustíveis sobem. Começa com uma medida para reduzir o preço do combustível, mas é equivocada. Vai ter o resultado contrário”, afirmou Sachsida, a jornalistas, em 4 de março.
Motivo da queda
De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a queda do ministro não tem a ver somente com a questão do preço do diesel, mas também com a posição contrária do ministro com a criação do Brasduto, fundo que pode contar com recursos do pré-sal e que bancará a construção de dutos de petróleo.
O blog apurou que a posição do ministro era contrária ao tema, que interessa diretamente ao Centrão. O presidente da Câmara, Arthur Lira, está articulando a criação, na próxima quarta-feira (18), de uma comissão especial para analisar o projeto de lei que moderniza o setor elétrico e, por meio dela, integrantes do Centrão pretendem colocar a previsão dos recursos para a rede de dutos.
Segundo o jornal O Estado de São Paulo, se isso ocorrer, o beneficiário será o empresário Carlos Suarez – cuja empresa tem autorização para fazer a distribuição de gás na região Nordeste do país.
* Julia Duailibi é comentarista de política e economia da GloboNews