Está no Blog da Andréia Sadi
Além de trocar José Mauro Ferreira Coelho por Caio Paes de Andrade na presidência da Petrobras [1], Jair Bolsonaro [2] (PL [3]) quer também a substituição de diretores e do conselho de administração da empresa. O foco é um só: intervir no preço dos combustíveis para evitar prejuízos à campanha de reeleição.
Desde que Bento Albuquerque caiu do cargo de ministro das Minas e Energia [4], Paulo Guedes [5], ministro da Economia, recuperou poder na estatal e conseguiu emplacar não só o substituto de Bento – Adolfo Sachsida [6] – como indicar o novo presidente da Petrobras [7].
Segundo o blog apurou, a ala política defendia uma medida mais rápida para diminuir o impacto do reajuste dos combustíveis [8], como um subsídio – ao que Guedes era contra.
Quando Guedes ganhou a queda de braço e colocou Sachsida à frente das Minas e Energia, ganhou também o sinal verde para fazer mudanças em outros postos estratégicos da Petrobras [7] – como diretorias e conselho – para conter novos reajustes.
Nesse sentido, uma das ideias em discussão no governo é conseguir alargar o espaço entre os reajustes dos preços nas refinarias – por exemplo, garantir um intervalo de 100 dias ou mais entre eles.
A avaliação é que, embora essa alteração não garanta preços mais baixos, pelo menos o governo conseguiria reduzir o número de vezes que o assunto voltaria ao centro do debate público daqui até a eleição.
Cem dias não é um intervalo trivial. De acordo com um levantamento do Observatório Social da Petrobras [7], desde 2009 nunca houve um espaçamento desse tamanho entre os reajustes da gasolina, por exemplo. O maior intervalo até aqui é o atual, 73 dias.
Essa ameaça de mudanças assusta o mercado. Não à toa, ações da Petrobras [7] na bolsa de Nova York abriram esta terça-feira (24) em forte queda [9].
E não é certo que, mesmo que o governo queira, as alterações venham a ocorrer, pois dependeriam de passar pelo crivo da política de governança da estatal.
Entre assessores políticos de Bolsonaro, a solução para os preços nos combustíveis, agora, está nas mãos de Paulo Guedes [5]: e esse grupo – integrado por políticos do Centrão – teme que as medidas propostas pela Economia não ocorram a tempo de blindar o presidente do desgaste eleitoral do tema.
Foto reproduzida da Internet