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Posição de Lula sobre PCC e CV como terroristas nos EUA deve reforçar impacto econômico e risco ao PIX

Está no Blog da Ana Flor, no g1

O Palácio do Planalto está fechando uma nota oficial que irá ser divulgada ainda nesta sexta-feira (29) em reação ao anúncio dos Estados Unidos de equipararem a terroristas as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) [1]. [1]

O texto reforçará os danos que a medida pode trazer à economia do país, inclusive ao PIX, sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central. A estratégia é criar uma reação parecida à do “tarifaço” (entenda mais abaixo).

Ponto central da posição do governo será reforçar que a parceria com os EUA no combate ao crime organizado continua forte assim como outras parcerias para combater as facções.

Segundo interlocutores do governo ouvidos pelo blog, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva [2] (PT) não quer um enfrentamento com a gestão de Donald Trump [3].

Na arena eleitoral, a estratégia será reforçar não só possíveis perdas para o setor financeiro que podem ocorrer a partir da medida, mas até uma ameaça ao PIX — que já é alvo do governo Trump.

A acusação dos americanos é de que o meio de pagamento pode facilitar o uso de recursos pelas organizações criminosas.

Na prática, a menção ao PIX comunica diretamente com a população, já que o meio de pagamento é o queridinho dos brasileiros.

Ao citar riscos ao PIX, o governo também joga na oposição, mais especialmente no pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a responsabilidade pela nova medida vinda do Departamento de Estado dos Estados Unidos, onde o senador foi recebido na quarta (27). [4]

Lula [5] conversou nas últimas horas com diversos auxiliares sobre o tema. Além do chanceler Mauro Vieira, discutiu o assunto com o assessor internacional Celso Amorim e com os ministros Wellington César Lima e Silva (Justiça) e Dario Durigan (Fazenda).

Tentativa é criar reação semelhante à do ‘tarifaço’

A estratégia de evocar riscos ao PIX repete a tática usada pelo Planalto na crise do “tarifaço” de 2025, quando Donald Trump colocou em vigor uma taxa de 50% sobre os produtos brasileiro [6]s.

Na época, além de rebater a medida demonstrando o superávit bilionário dos EUA [7], o governo brasileiro apostou alto na diplomacia presidencial direta.

Lula e Trump conversaram de forma reservada para abrir negociações [8], oportunidade em que os dois presidentes trocaram telefones para estabelecer uma linha direta de comunicação.

Pouco tempo depois, o esforço culminou em um aperto de mãos presencial, quando Lula e Trump se encontraram na Malásia e iniciaram formalmente o acordo sobre as tarifas. [9]

Esse diálogo direto foi classificado pelo Planalto como o motor para que a Casa Branca cedesse no pragmatismo econômico e assinasse um decreto reduzindo e retirando tarifas de diversos produtos do agronegócio brasileiro [10], citando nominalmente o avanço nas conversas com Lula.

Agora, a tentativa é criar uma reação semelhante à do tarifaço: usar o forte apelo de um tema financeiro para constranger Washington e reabrir canais diretos de negociação política.

Foto reproduzida da Internet


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