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Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida apresentaram, na quinta-feira (8), uma notícia de fato à Polícia Federal solicitando investigação urgente sobre uma possível articulação entre o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e pessoas ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A representação aponta suspeita de uma operação coordenada para interferir no segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, e embaraçar as investigações do escândalo do Banco Master.
A iniciativa foi motivada por informações publicadas na coluna Outro Canal, da Folha de São Paulo, revelando que interlocutores de Vorcaro — preso preventivamente no Distrito Federal — procuraram a TV Globo para negociar uma entrevista exclusiva, enquanto a Record também demonstrou interesse, cabendo a escolha à emissora que oferecesse maior tempo de exibição. Paralelamente, os juristas receberam a informação de que um HD contendo um depoimento gravado com acusações a adversários políticos de Flávio Bolsonaro e a integrantes do governo federal, incluindo ministros de Estado, teria sido entregue a terceiros fora dos canais formais. Segundo os advogados, há fundada suspeita de que o material contenha acusações sem provas, elaboradas para atingir politicamente o presidente Lula (PT) às vésperas do segundo turno.
A petição destaca o histórico de relações financeiras entre o parlamentar e o banqueiro. Em maio de 2026, revelações apontaram que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro o repasse de cerca de R$ 134 milhões (US$ 24 milhões) sob o argumento de financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL), dos quais aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos. A Polícia Federal já apura se esses recursos foram canalizados via fundo Havengate Development, no Texas, para custear a permanência do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos e ações ostensivas contra autoridades brasileiras, motivo pelo qual o ministro André Mendonça instaurou inquérito no STF em julho.
Para os representantes do Grupo Prerrogativas, a movimentação atende a uma dupla finalidade: desviar o foco das investigações do caso Banco Master e dos repasses ao filme, criando um ambiente favorável à soltura de Vorcaro e à impunidade dos envolvidos, e interferir diretamente no resultado das urnas com imputações caluniosas de última hora. O documento ressalta que a manobra visa burlar os filtros da colaboração premiada previstos na Lei 12.850/2013 — já que duas propostas do empresário foram rejeitadas por falta de provas —, lançando acusações isoladas diretamente na imprensa no momento mais decisivo da disputa.
Diante da gravidade dos fatos e da proximidade do pleito, os advogados pedem que a PF processe o pedido com prioridade, identifique a origem e os destinatários da mídia gravada, apure a conduta dos intermediários do empresário e comunique as apurações ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral Eleitoral. A representação enfatizou ainda que as diligências devem focar na cadeia de produção e circulação do material e em eventuais vínculos com a campanha de Flávio Bolsonaro, preservando integralmente o sigilo da fonte e a liberdade de imprensa.
Fotos reproduzidas da Internet