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PT aciona PF e STF para investigar se financiamento de Dark Horse foi usado como caixa 2 na campanha de Flávio Bolsonaro

Está no Brasil 247

O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou nesta quarta-feira (10) pedidos de investigação junto à Polícia Federal (PF) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).

Segundo o jornal O Estado de São Paulo [1], a legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustenta que a produção cinematográfica pode estar relacionada a possíveis irregularidades, incluindo abuso de poder econômico, caixa dois eleitoral e eventual utilização de recursos para beneficiar a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

PT pede apuração sobre origem e destino dos recursos

Na representação encaminhada à Polícia Federal, os advogados do partido solicitam a investigação da origem, circulação e destinação dos recursos financeiros empregados na produção do longa-metragem. O pedido também inclui a análise da atuação de empresários, políticos e demais pessoas envolvidas no projeto.

Paralelamente, o PT ingressou no STF com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), por meio da qual solicita uma investigação sobre o possível envolvimento de emendas parlamentares e recursos públicos na produção do filme.

Repasses milionários estão no centro das suspeitas

As ações têm como base informações sobre um pedido feito por Flávio Bolsonaro ao empresário Daniel Vorcaro, então proprietário do banco Master, para obtenção de US$ 24 milhões destinados à produção de Dark Horse. Segundo os documentos citados na representação, Vorcaro teria desembolsado US$ 10,6 milhões entre fevereiro e maio de 2025.

De acordo com a denúncia, parte dos recursos foi transferida pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, ligado ao advogado Paulo Calixto, que atua em defesa de Eduardo Bolsonaro no Texas, nos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro afirma que os recursos foram integralmente destinados à produção cinematográfica. No entanto, a Polícia Federal já conduz uma apuração para verificar se parte dos valores pode ter sido utilizada para custear a permanência do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro em território estadunidense.

Suspeita de caixa dois e abuso de poder econômico

Na notícia de fato encaminhada à PF, o PT aponta como elemento central das suspeitas a destinação de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira Gama, também proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.

“Como ponto central dos potenciais ilícitos praticados neste âmbito se encontra a destinação de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, de Karina Ferreira Gama, também proprietária da Go Up Entertainment, que produziu a cinebiografia ‘Dark Horse’, bem como a possível ocorrência do delito previsto no art. 350 do Código Eleitoral (caixa dois) e de abuso de poder econômico”, afirma o documento.

Segundo o PT, a obra ultrapassaria os limites de uma produção cinematográfica convencional e teria potencial para influenciar o processo eleitoral ao promover figuras centrais do grupo político ligado ao ex-mandatário.

Estreia próxima das eleições reforça questionamentos

Outro ponto destacado pelos advogados é a previsão de estreia do filme em 11 de setembro, menos de um mês antes das eleições de 2026. Na avaliação do partido, o cronograma de lançamento amplia a necessidade de investigação sobre eventuais impactos eleitorais da produção.

A ação protocolada no STF afirma que Flávio Bolsonaro seria o beneficiário final dos recursos obtidos para o projeto, uma vez que teria participado diretamente das negociações para captação dos investimentos.

“Sob essa perspectiva, a destinação de dezenas de milhões de reais para uma obra concebida para exaltar a figura central de um grupo político, com lançamento programado para o ápice da campanha eleitoral de 2026, apresenta inequívoca aptidão para interferir na formação da vontade do eleitorado e desequilibrar a disputa democrática”, sustenta a petição.

PT pede pente-fino em toda a produção

Além das questões financeiras, o PT solicita uma ampla fiscalização sobre a regularidade da produção audiovisual. Entre os pedidos está a verificação dos registros do filme junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine), ao U.S. Copyright Office e à Biblioteca Nacional.

A legenda também pede que a Polícia Federal apure a situação migratória e trabalhista de profissionais estrangeiros envolvidos no projeto, como o ator Jim Caviezel, intérprete de Jair Bolsonaro, e o diretor Cyrus Nowrasteh. A solicitação inclui a análise de vistos de trabalho, contratos e recolhimento de tributos relacionados ao setor audiovisual.

Por fim, o partido requer que autoridades brasileiras busquem cooperação jurídica internacional para verificar a eventual incidência do Foreign Agents Registration Act (FARA), legislação dos Estados Unidos que regula atividades políticas e informativas realizadas em favor de interesses estrangeiros, sobre ações desenvolvidas por integrantes da rede de apoio de Eduardo Bolsonaro no Texas.

Imagem reproduzida da Internet


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