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O Partido dos Trabalhadores oficializou neste domingo (2), em São Paulo, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Lula busca seu quarto mandato.
“O Brasil terá que fazer uma escolha de que legado vamos deixar, que Brasil vamos construir”, disse Edinho Silva, presidente do PT, ao anunciar a oficialização da candidatura de Lula. A convenção começou por volta das 9h no Expo Center Norte, na Zona Norte da cidade de São Paulo.
Fernando Haddad, candidato do PT ao governo paulista, defendeu a reeleição de Lula. “O Brasil precisa de um marujo confiável, experiente, que saiba acionar as ferramentas necessárias para proteger a soberania do Brasil. Lula é motivo de inveja no mundo. Só que o Lula é brasileiro.”
O evento, que teve início com uma entrevista com a deputada federal Benedita da Silva (PT), também contou com a presença, desde o início, do presidente do partido no estado e coordenador da campanha de Fernando Haddad ao governo de SP, Kiko Celeguim.
Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo; Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência; Marina Silva (Rede), candidata ao Senado por São Paulo; Aloizio Mercadante, ex-senador pelo PT; a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; e o senador Rogério Carvalho (PT) também estão na convenção.
Enquanto aguarda o discurso do presidente, o evento focou em citar propostas e medidas implementadas por Lula durante o terceiro mandato. A cerimônia também destacou o papel das mulheres na sociedade.
Lula busca 4º mandato
Aos 80 anos, Lula vai em busca de seu quarto mandato presidencial: foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e novamente escolhido como presidente em 2022.
O presidente também disputou as eleições de 1989, 1994 e 1998, quando saiu derrotado: primeiro, por Fernando Collor e, depois, por Fernando Henrique Cardoso duas vezes (leia o perfil). [1]Em 2018, o PT chegou a oficializar a candidatura de Lula, mas ela foi barrada pela Justiça [2], e Fernando Haddad foi o candidato do PT no lugar de Lula.
Se vencer neste ano, chegará a 16 anos como presidente e ficará atrás somente de Getúlio Vargas, que governou o Brasil por pouco mais de 18 anos, mas só foi eleito pelo voto direto uma vez.
Chapa com Alckmin na vice
O petista repetirá a chapa vitoriosa de quatro anos atrás com o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), oficializado em convenção do partido na quarta-feira (29) [3]. Lula esteve no evento.
Geraldo Alckmin consolidou sua posição no governo e manteve uma relação de proximidade com Lula, apesar do antigo histórico de disputa em eleições presidenciais, quando era do PSDB.
Além da vice-presidência, Alckmin também chefiou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, fazendo a ponte entre o governo e o empresariado.
Em 2026, o PT terá PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede como aliados na eleição presidencial. O principal adversário de Lula, Flávio Bolsonaro (PL), até o momento não anunciou coligações.
Os partidos têm até 5 de agosto para realizar as convenções, nas quais oficializam candidatos e coligações. Depois, as candidaturas devem ser registradas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto. A campanha eleitoral começa no dia seguinte.
Partidos que devem compor a chapa Lula-Alckmin
PDT: oficializou apoio à candidatura de Lula em 20 de julho. Foi o primeiro partido a formalizar aliança com o petista para as eleições de 2026.
Segundo a legenda, a decisão foi motivada pela defesa da pauta trabalhista e pela necessidade de mobilizar forças políticas contra a extrema-direita.
➡️ PSB: mantém a composição vencedora das eleições de 2022 e reforça a aliança entre PT e PSB para a disputa presidencial de 2026.
➡️ Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB): criada em 2022, reúne os três partidos que integram a base histórica do governo. Como fazem parte da mesma federação, as legendas atuam de forma conjunta nas eleições e no Congresso Nacional.
➡️ Federação PSOL/Rede (PSOL e Rede): reúne os dois partidos que apoiam a reeleição de Lula em 2026.
O PSOL é um dos aliados históricos do petista. Já a Rede Sustentabilidade tem entre suas principais lideranças a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que integra o governo Lula e será candidata ao Senado em São Paulo, na chapa de Fernando Haddad.
Investigações sobre o filho
Lula inicia mais uma campanha eleitoral em meio ao avanço de investigações sobre seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Na última semana, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de dois inquéritos para apurar se Lulinha cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção [4].
A suspeita é que o filho do presidente atuou para favorecer lobistas interessados em fazer negócios com instituições públicas, entre eles Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, conforme as investigações da Polícia Federal.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que não há nenhum fato que justifique a abertura das investigações.
“A Polícia Federal segue empreendendo esforços na perspectiva de tentar interferir no processo eleitoral. É absolutamente lamentável. Não há qualquer fato que justifique a abertura de qualquer tipo inquérito contra o Fábio Luis. Nós vamos comprovar que não qualquer tipo de relação, nem direta, nem indiretacom qualquer tipo de irregularidade”, disse.
O presidente Lula disse na última quinta-feira (30), em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., que o filho responderá “como filho de qualquer pessoa” e “não vai ficar escondido” [5].
“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Como eu. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Sabe o que é ver na TV te chamarem de ladrão. Sabe que minha mulher morreu por causa da Lava Jato.”
Outros candidatos já fizeram convenções
Flávio Bolsonaro lançou a candidatura [6]em 25 de julho. Ronaldo Caiado (PSD) [7], no dia 26, e Romeu Zema (Novo) [8], no dia 27. Neste sábado (1º), foi a vez de Renan Santos (Missão) [9].
Lula é o último dos cinco principais candidatos a fazer sua convenção.
Foto: Ricardo Stuckert