por Paulo Moreira Leite, no Jornalistas pela Democracia
Sérgio Moro saiu do governo batendo a porta. Foi um sinal de que compreendeu — mesmo tardiamente — que não poderia retomar o projeto de uma carreira de candidato presidencial sem tomar distância de Bolsonaro e do bolsonarismo.
Com a auto suficiência de quem se imaginava capaz de alimentar uma candidatura própria nas fileiras de um governo cujo presidente pretende disputar a reeleição, possivelmente naqueles projetos estranhos que querem durar 1 000 anos, Moro percebeu o sinal de perigo para pedir demissão com alguma indignação antes de ser demitido como traidor sem escrúpulos.
A saída lhe permite, ao menos em teoria, iniciar a nova fase da vida embalado por um discurso que pode lhe abrir portas no debate político, ao menos nos próximos meses.
Aliados de sempre — a começar pelas Organizações Globo — já se mobilizam nessa direção.
Considerando que também foi assim na eleição de 2018 e nos meses seguintes, quando o mito Lava Jato trocou alianças com o mito da nostalgia do porão da ditadura, nada impede que aliados e adversários apontem o dedo para fazer a mesma pergunta: por que só agora?
Foto reproduzida da Internet