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O Ministério da Educação (MEC [1]) decidiu encerrar a realização do “ranking do Enem por escolas [2]“. Os dados divulgados anualmente pela pasta traziam uma lista com as maiores notas médias do país obtidas pelos colégios no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem [3]).
Apesar de, nos últimos anos, os dados passarem a ser divulgado com ressalvas e filtros que permitiam diversas comparações mais equilibradas entre diferentes perfis de escolas, o MEC afirma que os dados eram usados de forma equivocada pelas instituições. As empresas chegavam a montar salas com alunos de elite para obter bom desempenho no Enem e usar os dados como propaganda.
Sobre a exclusão desse dado, a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, afirmou que a mudança é uma reivindicação antiga dos especialistas em educação [5]. “O Enem não avalia escola, avalia o estudante e isso é só um dos muitos indicadores para poder avaliar uma escola”, afirmou Maria Inês.
Ainda sobre a extinção dessa base de dados, o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que “o ranking das escolas é utilizado como propaganda e não é missão do Estado brasileiro estabelecer esse ranking, produzia um desserviço e uma desinformação. “
Em edições anteriores da divulgação da nota, o governo federal chegou a afirmar que um “ranking único de escolas no Enem” é como uma luta Ronda x Minotauro [6].
Substituto: Ideb do ensino médio
A partir deste ano, as escolas que oferecem o terceiro ano do ensino médio passarão a ter o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Este será o único indicador de qualidade disponível, já que o as notas do Enem não serão mais divulgadas por escola.
O Ideb é um indicador criado conciliando os resultados da Prova Brasil com alguns dados do censo escolar. Na Prova Brasil os estudantes respondem itens de língua portuguesa, com foco em leitura, e matemática, com foco na resolução de problemas.
Com a ampliação, está prevista a participação de mais de 7,5 milhões de estudantes no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Desses, 2,4 milhões são alunos do 3º no do ensino médio público e privado.
Demais mudanças no Enem
O governo federal também divulgou nesta quinta-feira (9) uma lista de novidades para os próximos exames. A principal é que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será realizado em dois domingos consecutivos. Em 2017, as datas serão 5 e 12 de novembro.
As demais mudanças foram:
- Primeiro domingo terá Linguagens, ciências humanas e redação com cinco horas; no segundo, matemática e ciências da natureza, com quatro horas e meia de prova.
- Cadernos de prova serão personalizados, com nome e número de inscrição na capa e cartão de respostas
- Passam a ser isentos da taxa de inscrição também quem tiverem cadastro no CadÚnico
- Não serão divulgados dados do Enem por escola
- Isentos do pagamento da inscrição que não comparecem perdem direito ao benefício no ano seguinte se a ausência não for justificada
- Enem não valerá como certificado do ensino médio
- Solicitação de tempo adicional para atendimento especial deve ser solicitada na inscrição
- MEC diz que estudantes recusaram, em consulta pública, possibilidade de fazer a prova no computador
A decisão de alterar o esquema de datas do Enem foi decidida após a realização da consulta pública sobre o exame, entre os dias 18 de janeiro e 17 de fevereiro. Dos mais de 600 mil participantes, 63,70% votaram que o Enem deveria ocorrer em dois dias e 36,30% opinaram que deveria ser aplicado em um dia só.