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Relação entre Brasil e Nicarágua deteriora com expulsão de embaixadores; entenda o caso

Está no g1

O relacionamento diplomático entre o Brasil e a Nicarágua sofreu um abalo [1] nesta quinta-feira (8), após o governo nicaraguense decidir expulsar o embaixador brasileiro, Breno Souza da Costa.

A medida foi uma retaliação à ausência do Brasil nas celebrações dos 45 anos da Revolução Sandinista (entenda mais neste texto), além de ser um reflexo das tensões crescentes entre os governos de Luiz Inácio Lula [2] da Silva e Daniel Ortega.

Aplicando o princípio da reciprocidade na diplomacia, o governo brasileiro mandou embora a embaixadora da Nicarágua em Brasília [1], Fulvia Matu.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre o caso:

O que motivou a expulsão do embaixador brasileiro na Nicarágua?

A expulsão do embaixador brasileiro foi uma resposta à ausência do Brasil nas celebrações da Revolução Sandinista, em julho. O presidente nicaraguense, Daniel Ortega, é um ex-guerrilheiro do movimento sandinista e viu a ausência do Brasil como um gesto de desrespeito. Além disso, as relações entre os governos de Lula e Ortega, que já foram aliados, têm se deteriorado nos últimos anos.

Como o governo brasileiro reagiu à expulsão?

Em resposta imediata, o governo brasileiro decidiu expulsar a embaixadora da Nicarágua no Brasil, Fulvia Patricia Castro Matus. Segundo o Itamaraty, essa medida foi tomada como um ato de reciprocidade diplomática. A embaixadora nicaraguense, por sua vez, deve assumir um cargo no Ministério da Economia em seu país de origem.

Qual foi o impacto desses eventos nas relações Brasil-Nicarágua?

A expulsão de um embaixador é um gesto grave que simboliza uma deterioração significativa nas relações diplomáticas entre os dois países.

As relações entre Brasil e Nicarágua já estavam estremecidas, especialmente após o Brasil decidir congelar as relações diplomáticas por um ano, em resposta à repressão do governo nicaraguense contra a Igreja Católica.

Congelar relações diplomáticas significa suspender temporariamente as interações formais e oficiais entre dois países. Essa ação é menos extrema do que romper completamente as relações diplomáticas, mas ainda é um sinal de desacordo ou tensão significativa entre as nações envolvidas.

Por que o Brasil congelou as relações com a Nicarágua?

O Brasil decidiu congelar as relações com a Nicarágua como uma resposta à prisão de padres e bispos no país.

A decisão de não enviar o embaixador às celebrações da Revolução Sandinista foi uma consequência direta desse congelamento. A deterioração das relações foi ainda mais profunda após o governo nicaraguense se recusar a libertar o bispo Rolando Álvarez, um crítico fervoroso de Ortega, apesar das mediações realizadas pelo Brasil e pelo Vaticano.

Qual é o contexto político na Nicarágua?

A Nicarágua, sob o governo de Daniel Ortega, tem sido classificada como uma autocracia [3], segundo o índice V-DEM, que mede o status das democracias pelo mundo.

Ortega, um ex-guerrilheiro sandinista, governa o país desde 2007 e foi reeleito em 2021 em eleições consideradas não livres e injustas por observadores internacionais, incluindo os Estados Unidos. Ortega também enfrenta acusações de nepotismo, já que sua esposa, Rosario Murillo, é a vice-presidente do país, e ele nomeou vários parentes para posições importantes no governo.

Movimento sandinista

Daniel Ortega, de 72 anos, era um estudante nos anos 1950, quando se juntou às manifestações para derrubar a dinastia Somoza – que era apoiada pelos EUA e governava a Nicarágua havia quatro décadas. As atividades de Ortega fizeram com que fosse acusado de terrorismo e preso por sete anos no governo de Anastasio Somoza Debayle. Após sua liberação, em 1974, ele aderiu à Frente de Libertação Nacional Sandinista (FLNS). Em 1979, o último presidente Somoza caiu.

Nas eleições de 1984, virou presidente da Nicarágua pela primeira vez – com o apoio de cerca de 70% dos eleitores. Mas, em 1990, o fraco crescimento econômico e a desilusão política vinham minando suas credenciais, e Ortega perdeu a presidência para uma antiga companheira de guerrilha, Violeta Barrios de Chamorro.

Ortega perdeu três eleições seguidas, em 1990, 1996 e 2001. Ele voltou ao poder em 2006, com 38% dos votos. Críticos o acusam de se entrincheirar na presidência, inspirando-se nas táticas adotadas pela dinastia Somoza contra seus inimigos políticos: assassinar suas reputações manipulando a imprensa e reprimindo qualquer dissenso nas ruas. Também como Somoza, ele distribuiu parte da riqueza nacional e de sua influência com a família – sua indicação mais controversa foi escolher sua mulher, Rosario Murillo, como vice-presidente.

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