Antes que algum aventureiro lance mão e diga que sou um reaça, não, não sou. Apenas penso com a razão e não com a emoção. Também não sou contra qualquer tipo de manifestação, desde que pacífica. E não é isso que se observou hoje com o movimento iniciado nas redes sociais denominado de #revoltadobusão que pede que a passagem do transporte urbano em Natal volte a tarifa de antes do reajuste, ou seja, R$ 2,20. O prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) até compreendeu a reivindicação dos estudantes e baixou a passagem para R$ 2,30, que antes havia sido reajustada em R$ 2,40. Menos que isso não há condição, justificou o alcaide. Mas o movimento foi retomado com queima de pneus atrapalhando a vida de quem precisa voltar para casa e de quem precisa se deslocar à universidade. Por isso, reproduzo uma parte de um artigo do cineasta e jornalista Arnaldo Jabor publicado ontem no Estadão sob o título “O militante imaginário”, para sintetizar o que significa esse “ato público”, se é que se pode chamar isso de ato público. Segue parte do texto de Jabor:
– O Brasil está infestado de ‘militantes imaginários’. Mas, o que é um “militante imaginário”? (Ouvi essa expressão do José Arthur Gianotti – na mosca. Já escrevi sobre isso e volto). O militante imaginário (MI) é encontrado em universidades, igrejas, conventos, jornais, bares. O militante imaginário é um revolucionário que não faz nada pelo bem do povo; ele se julga em ação, só que não se mexe. A revolução imaginária não tem armas, nem sangue, nem dificuldades estratégicas, nem soldados. Trata-se apenas de um desejo ou de ignorantes ou de pequenos burgueses que sonham com uma vitória sem lutas. É uma florescência romântica, poética que nos espera numa ‘parusia’ (Google, gente boa) ao fim da história.
O militante imaginário precisa de algo que ilumine sua vida, uma fé, como os evangélicos – o ‘bem’ de um futuro, o bem de uma sigla, de um slogan. Pensando assim, tudo lhe é permitido e perdoado. “Sou de esquerda” – berra o publicitário, o agiota, o lobista. É tão prático… O grande poeta Ferreira Gullar, ex-exilado, perseguido na ditadura, foi dar uma palestra na USP e ficou perplexo com a obviedade ideológica dos jovens, como se estivéssemos ainda na chegada de Fidel a Havana. Tudo comuna. Ser ‘de esquerda’ dá um charme extra a ignorantes de politica. Não há mais esquerda e direita; certo seria falar em ‘progressistas e reacionários’.
Feito o registro do artigo de Jabor, digo que a estudantada está parecendo mais uns militantes imaginários ou rebeldes sem causa. O que o leitor achar melhor.