Está no Blog da Andréia Sadi
O sistema do Exército aponta que a licença do ex-deputado Roberto Jefferson estava suspensa e que ele não poderia ter ou transportar armas fora de Brasília. As informações foram confirmadas ao blog por integrantes do Exército.
Segundo o blog apurou, o endereço de Jefferson, que consta no sistema do próprio Exército, é de Brasília e não há guia de tráfego que autorizaria transporte de qualquer item do ex-deputado para o Rio de Janeiro. Ou seja, explica a fonte do exército, Jefferson “não poderia ter nada no Rio e para todos os efeitos, tudo que ele tem deveria estar em Brasília”.
O exército instaurou, nesta segunda-feira (24), um processo administrativo para apurar por que Jefferson armazenava armas no Rio de Janeiro. O processo deve levar ao cancelamento do registro da licença de CAC do ex-deputado.
O blog questionou fontes do exército a respeito da data da suspensão da licença, mas não teve resposta até a publicação da reportagem.
Também foi instaurado um inquérito criminal pela Polícia Federal [1] para investigar a posse das armas.
As CACs foram usadas por Bolsonaro para flexibilizar o acesso às armas pela população.
Em setembro, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF [2]), concedeu três liminares (decisões provisórias) que restringiam os efeitos de decretos editados por Bolsonaro que facilitam a compra de armas de fogo e de munições, além da posse de armamento no país.
Para Fachin, a suspensão dos decretos era urgente por causa da eleição que, na época, disse “exasperar o risco de violência política”.
Os decretos já vinham sendo analisados pelo Supremo mas tiveram o julgamento suspenso em 2021, após pedido de vista do ministro Nunes Marques, um dos indicados por Bolsonaro à Corte.
Entenda o caso
Roberto Jefferson atirou em policiais federais que cumpriam mandado de prisão determinado pelo ministro Alexandre de Moraes [3], do Supremo Tribunal Federal (STF), neste domingo (23), na cidade de Comendador Levy Gasparian, no interior do Estado do Rio de Janeiro.
O ex-deputado resistiu a prisão, atacou os policiais a tiros e com pelo menos três granadas, ferindo dois policiais. Os agentes reagiram ao ataque, mas não invadiram o local.
O ataque de Jefferson aconteceu no começo da tarde, mas o ex-deputado só foi preso após 8h de resistência à prisão. O ex-deputado só chegou ao Presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio, cerca de 14 horas depois de receber voz de prisão da PF [4].
Jefferson estava em prisão domiciliar desde 25 de janeiro deste ano com base no inquérito que apura a atuação de uma organização criminosa que atenta contra a democracia.
A prisão domiciliar havia sido determinada pelo próprio ministro Alexandre de Moraes. Antes de receber o benefício, Jefferson passou cinco meses preso no Complexo Prisional de Gericinó [5], em Bangu, Zona Oeste do Rio.
A revogação do benefício [6] por Moraes se deve ao descumprimento de medidas da prisão domiciliar, como passar orientações a dirigentes do PTB, receber visitas, conceder entrevista e compartilhar fake news que atingem a honra e a segurança do STF e seus ministros, como fez ao ofender a ministra Cármem Lúcia.
Foto: Correio Braziliense