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Deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro [1], réu pelo crime de violência política de gênero, candidato a vice-prefeito da capital, famoso por quebrar uma placa com o nome de Marielle Franco. Esses são apenas alguns dos registros no “currículo” de Rodrigo Amorim.
Na quarta-feira (17), o g1 [2] e a TV Globo apuraram que um carro oficial da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj [3]), cedido para o deputado estadual Rodrigo Amorim (PTB [4]), foi usado em atos golpistas no início do ano. [5]
De acordo com a apuração, esse veículo, de placa reservada, consta de um ofício enviado pelo secretário estadual de Polícia Civil, Fernando Albuquerque, em resposta a um requerimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dentro dos inquéritos que investigam os atos antidemocráticos.
Moraes tinha determinado que a polícia fluminense fornecesse detalhes do registro das placas de cinco veículos que, segundo as investigações, estiveram em acampamentos de bolsonaristas.
Carreira política
Rodrigo Martins Pires de Amorim, de 43 anos, é advogado e deputado estadual do Rio de Janeiro, em seu segundo mandato. Sua primeira aparição na política aconteceu em 2016, quando foi candidato a vice-prefeito do Rio de Janeiro, na chapa de Flávio Bolsonaro [6] (PSC).
Derrotado no pleito municipal, mas alinhado ao movimento bolsonarista, Amorim chegou como candidato do PSL [7] na disputa por uma vaga na Alerj, em 2018. Contudo, seu nome passou a ser conhecido em todo o estado após uma grande polemica durante um evento de campanha em Petrópolis, na Região Serrana.
Ao lado do ex-deputado Daniel Silveira [8], condenado por atos antidemocráticos [9], e do ex-governador Wilson Witzel [10], que sofreu impeachment por crimes ao longo do mandato [11], Rodrigo Amorim (foto) quebrou uma placa com o nome da vereadora assassinada Marielle Franco (Psol [12]). Após destruírem o objeto, o trio ainda debochou.
Naquele ano, Amorim foi eleito o deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, com mais de 140 mil votos. Ao longo dos quatro anos de mandato, o deputado trocou de partido, deixando o PSL e assumindo um posto no PTB.
Na última eleição, em 2022, o deputado foi reeleito, mas viu seu número de votos desabar, de 140 mil para 47 mil.
Violência política de gênero
Em agosto de 2022, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e tornou Amorim réu pelo crime de violência política de gênero [13] contra a vereadora trans de Niterói, Benny Briolly (Psol).
Segundo a denúncia do MPF, Amorim constrangeu e humilhou a vereadora durante um discurso transmitido ao vivo pela TV Alerj e depois retransmitido nas redes sociais.
O deputado tratou Benny, que é negra e trans, como “boizebu”, “aberração da natureza”, “vereador homem de Niterói” e “aberrações de ‘LGBTQYZH”.
“Com essas palavras o denunciado constrangeu, humilhou e perseguiu a vítima Benny Briolly, com menosprezo e discriminação, subjugando a por ser mulher-trans e com a finalidade de impedir e/ou dificultar o desempenho do seu mandato eletivo na Câmara de Vereadores de Niterói, diante de sua notória atuação profissional, parlamentar e política relacionada a pautas em defesa das mulheres e da comunidade LGBTQIA+”, diz a denúncia.
Investigação sobre improbidade
Em abril de 2020, o deputado virou alvo de uma ação que tramita na Justiça, suspeito de ter sido funcionário fantasma [14] da Prefeitura de Mesquita, na Baixada Fluminense.
A ação de improbidade administrativa foi feita pela Procuradoria Geral daquele município e o Ministério Público se manifestou favorável.
Segundo a acusação, entre abril de 2014 e março de 2016, Rodrigo Amorim passou pelas subsecretarias de Governo e de Planejamento – sem jamais ter trabalhado por lá e recebendo um total de R$ 82.105. A cidade tem o pior PIB per capita de todo o estado, segundo dados do IBGE.
Deputado nega participação em atos antidemocráticos
O deputado estadual Rodrigo Amorim informou, em nota, que não foi notificado sobre qualquer investigação relacionada a atos antidemocráticos, “dos quais jamais participou”. Ele afirmou também que no dia 8 de janeiro deste ano estava com a família de férias em Alagoas. O deputado não explicou se esteve alguma vez em acampamento de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Foto: O Globo