- blogdobarbosa - https://blogdobarbosa.jor.br -

Rogério Marinho defenderá voto público da direita para tentar derrotar Alcolumbre

Está no Brasil 247

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), pretende defender que os parlamentares de direita tornem públicos seus votos na eleição para a presidência da Casa, marcada para 1º de fevereiro de 2027. A iniciativa busca impedir que senadores eleitos com apoio do bolsonarismo votem secretamente pela reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que tenta permanecer no comando do Senado.

Segundo reportagem [1] da Folha de S.Paulo, Marinho afirmou que a divulgação voluntária dos votos poderá aumentar a pressão sobre os integrantes da direita e fortalecer uma candidatura de oposição. O senador concedeu entrevista ao jornal e confirmou que pretende levar a proposta aos colegas.

“Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?”, declarou.

A movimentação ocorre em meio às articulações para a eleição da Mesa Diretora do Senado, que terá uma composição mais favorável à direita a partir de 2027.

PL discutirá candidatura contra Alcolumbre

Os senadores do PL devem se reunir nesta quarta-feira (4) para definir a estratégia do partido na disputa pela presidência do Senado.

Uma das possibilidades é o lançamento da candidatura de Rogério Marinho, que já concorreu ao cargo em 2023. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também manifesta interesse em disputar a presidência da Casa.

Dentro do PL, entretanto, não existe consenso sobre o melhor caminho.

Uma ala considera mais conveniente negociar com Alcolumbre, especialmente após a derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, para preservar espaços de influência no Senado.

Outro grupo defende o enfrentamento direto, sob o argumento de que a nova composição da Casa oferece condições para a eleição de um candidato identificado com a oposição.

Direita terá força ampliada no Senado

O PL contará com 29 senadores na próxima legislatura, enquanto o Novo terá três representantes. Juntas, as duas legendas somarão 32 parlamentares.

Republicanos, PP, Podemos e PSDB terão outros 15 senadores, em sua maioria eleitos com apoio do bolsonarismo.

A soma desses grupos chega a 47 cadeiras, acima dos 41 votos necessários para eleger o presidente do Senado, composto por 81 integrantes.

Essa configuração, contudo, não significa que todos os parlamentares votarão necessariamente no mesmo candidato.

Alcolumbre mantém relações políticas e pessoais com senadores de diferentes partidos, incluindo integrantes da direita, o que pode favorecer sua candidatura.

Segundo a Folha, tanto Alcolumbre quanto Marinho afirmam contar com 48 votos. Como os dois números superam a quantidade necessária para a vitória, as projeções evidentemente incluem parlamentares considerados aliados por ambos os lados.

Voto secreto é uma das principais preocupações da oposição

A eleição para a presidência do Senado é realizada por voto secreto, o que permite aos parlamentares escolher candidatos diferentes daqueles que apoiam publicamente.

A estratégia de Marinho busca reduzir essa possibilidade por meio da divulgação voluntária das escolhas.

A discussão remete à eleição de 2019, quando Alcolumbre disputou pela primeira vez a presidência da Casa, com apoio do então presidente Jair Bolsonaro.

Na ocasião, houve uma tentativa de tornar a votação oficialmente aberta, mas a medida foi barrada por decisão liminar do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar disso, alguns senadores decidiram revelar voluntariamente suas escolhas, mostrando as cédulas antes de depositá-las na urna.

A oposição pretende agora recuperar essa prática para constranger politicamente parlamentares que tenham sido eleitos com apoio da direita, mas considerem votar em Alcolumbre.

União Brasil e PP anunciaram apoio a Alcolumbre

Na terça-feira (27), a federação formada por União Brasil e PP anunciou a candidatura de Alcolumbre à reeleição.

A decisão, entretanto, não foi acompanhada de manifestações públicas de apoio da maioria dos senadores das duas legendas.

Tereza Cristina e Guilherme Derrite (PP-SP) criticaram o anúncio nas redes sociais, evidenciando as divergências internas.

O atual presidente do Senado aposta em sua capacidade de articulação política e nas relações construídas ao longo dos últimos anos para conquistar votos de diferentes campos partidários.

Bolsonaristas criticam relação de Alcolumbre com Lula

Um dos principais argumentos utilizados pelos adversários de Alcolumbre é sua atuação na relação entre o Senado e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Parlamentares bolsonaristas afirmam que o presidente da Casa teria dado mais atenção às demandas do Executivo do que às prioridades da oposição.

Entre as críticas está a condução das negociações sobre a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Segundo integrantes da direita, a proposta acabou substituída por uma discussão sobre redução de penas, que ainda não produziu o resultado esperado pelo grupo.

Alcolumbre também é criticado por não dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

Outro ponto de atrito foi a votação da proposta de emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6×1, estabelecendo uma redução da jornada semanal.

A iniciativa, uma das principais bandeiras defendidas por Lula, avançou durante a campanha presidencial e, segundo a reportagem, contribuiu para fortalecer a candidatura do petista no segundo turno.

Disputa envolve o controle político do Senado

Rogério Marinho já enfrentou uma derrota na disputa pela presidência da Casa em 2023, quando recebeu 32 votos contra 49 de Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

Após aquela eleição, o PL passou dois anos sem comandar comissões relevantes e sem ocupar posições na Mesa Diretora.

Em 2025, a legenda decidiu apoiar Alcolumbre em troca de espaços institucionais, incluindo a vice-presidência do Senado.

Agora, com uma bancada ampliada e a perspectiva de maior influência da direita, parte do partido pretende rever essa aliança.

A eleição de fevereiro será decisiva para definir a relação entre o Senado, o quarto governo Lula e a oposição bolsonarista, em um momento no qual o Congresso deverá discutir temas como o Orçamento de 2027, a política fiscal e as prioridades legislativas do novo mandato presidencial.

Foto reproduzida da Internet

Compartilhe:
[2] [3]