Está na Agência Reuters
Os secretários do Ministério da Economia que pediram demissão [1] temiam responder por improbidade no Tribunal de Contas da União e na Justiça por eventuais irregularidades na gestão das contas públicas, diante da tentativa do governo Jair Bolsonaro de realizar o programa de renda Auxílio Brasil, para substituir o auxílio emergencial e o Bolsa Família.
O portal O Antagonista [2] informou que, de acordo com os técnicos da equipe econômica, os quatro já tinham ameaçado pedir demissão e afirmaram ao ministro Paulo Guedes que não assinariam qualquer medida que infringisse a legislação fiscal. Eles defendiam que o Congresso aprovasse uma autorização extraordinária para o gasto de R$ 30 bilhões fora do teto de gastos.
“A demissão dos quatro era dada como certa desde segunda-feira, quando foram comunicados por Guedes que o governo flexibilizaria o teto de gastos para bancar o Auxílio Brasil. Como a ala política ganhou a queda de braço, os técnicos não querem manchar sua biografia com medidas populistas e eleitoreiras. O Funchal é um ferrenho defensor da responsabilidade fiscal. A saída da equipe faz todo o sentido”, disse um assessor de Guedes.
Auxílio de R$ 400 e precatórios
O relator da PEC dos Precatórios, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), apresentou nesta quinta-feira (21) novo parecer para uma proposta, modificando o prazo de correção do teto de gastos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o que, segundo ele, irá garantir o espaço fiscal para o pagamento de auxílio a famílias de renda baixa de mínimo 400 reais até dezembro de 2022.
Motta explicou que além dos cerca de 40 bilhões de reais estimados caso seja aprovada a parte da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata especificamente dos precatórios, há perspectiva de abertura de uma margem fiscal de aproximados 39 bilhões de reais adicionais com a mudança nenhum prazo relacionado à correção do teto de gastos.
“Com esse movimento, teremos o surgimento de espaço fiscal de R$ 39 bilhões. Quando isso se soma aos precatórios, estamos falando de algo na casa de R$ 83 bilhões de espaço fiscal aberto no ano que vem. […] Se o nosso texto for aprovado, nenhuma das 17 milhões de famílias receberá menos R$ 400 até dezembro de 2022”, comentou o parlamentar.
“O teto continuará a ser corrigido pelo IPCA, assim como os precatórios”, disse o relator, ao apresentar seu novo texto para um PEC.
“O que estamos mudando é apenas o período … Porque hoje o regramento se dá do meio do ano até o meio do outro ano … Estamos mudando esse regramento retroativo a 2016 para janeiro a dezembro, estamos sincronizando”, explicou ele.
No parecer, Motta explicou que as mudanças “adaptam” o teto de gastos aos “novos tempos” com a nova metodologia de cálculo, que permite a implementação de medidas extraordinárias –segundo ele, parte desses recursos será destinada à compra de vacinas– e, simultaneamente, confere “previsibilidade no crescimento dos gastos públicos, o que garante estabilidade da economia”.