Por mais que o secretário estadual de Saúde do Rio Grande do Norte, Adelmaro Cavalcanti, e o ex-titular da pasta, Ruy Pereira [atual secretário estadual de Assuntos Institucionais] digam que os contratos firmados pela secretaria na área de prestação de serviços foram feitos sob lisura absoluta, sinceramente, não convenceram.
A gente sabe, e toda a torcida do ABC sabe, que esses contratos feitos na área de prestação de serviços para limpeza e higiene vem sendo objeto de suspeita há tempos. Não é de agora. Pra ser mais claro, vem desde a época de Ruy Pereira, no primeiro governo socialista da professora Wilma de Faria. Não à toa a govcernadora determinou que os dois participassem da coletiva com a imprensa. Aliás, Ruy Pereira, pra quem não sabe, foi condenado mês passado pelo TCE [Tribunal de Contas do Estado] a ressarcir a prefeitura de Serra Negra do Norte, onde foi prefeito, em R$ 14,5 mil referente à aquisição de medicamentos sem destinação específica.
Que os recursos dos contratos licitatórios foram pagos às empresas, como disse Ruy Pereira, disso ninguém tem dúvidas. Que os funcionários do governo cumpriram com o serviço contratado pela Secretaria de Saúde, também ninguém duvida. Que não houve desvio de recursos da pasta, ìdem. Agora daí acreditar que as licitações foram feitas com total lisura e transparência, depois do que a Polícia Federal divulgou sobre as investigações feitas desde 2005, aí é querer que a gente acredite em Papai Noel.
É exatamente aí que está o X da questão. As investigações da PF levam a que as licitações foram fraudadas para beneficiar às empresas prestadoras de serviços em troca de propinas. E o filho da governadora Wilma de Faria (PSB), advogado Lauro Maia, segundo ainda a PF, usou do tráfico de influência para isso.
Então, sendo assim, considero que a entrevista concedida nesta terça-feira pelo secretário estadual de Saúde e pelo ex-titular da pasta, não acrescentou nada de novo. Apenas eles afirmaram que não houve desvio de recursos da Saúde para as licitações. Em momento algum, se não me falha a memória, as investigações da PF levam a isso. O que ficou constatado, salvo engano, foram as fraudes nas licitações para beneficiar empresas interessadas. Acredito até que alguns funcionários da secretaria que tiveram seus nomes envolvidos no escândalo, não sejam culpados, apenas cumpriram ordens. Contudo, com base nas informações da PF, houve gente que ganhou muita propina com as fraudes.