Está na Coluna do Guilherme Amado, no Metrópoles
Senadores que votaram em Rogério Marinho [1], ex-ministro do Desenvolvimento Regional de Jair Bolsonaro [2], conseguiram milhões de reais em verbas “extras” sob gestão dos ministérios do Executivo na última semana de 2022, segundo levantamento da coluna.
Nessa época, Marinho já era o candidato de Bolsonaro à presidência do Senado [3] e buscava votos de seus colegas. Parlamentares ouvidos pela coluna relatam que Marinho ajudou a abrir portas no Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) e em outras pastas para empenhar as verbas. (Confira os valores indicados por cada um no final desta reportagem.)
O senador afastado Jarbas Vasconcelos, do MDB de Pernambuco, por exemplo, emplacou R$ 15,6 milhões em indicações na última semana de 2022, dos quais R$ 15 milhões no Ministério do Desenvolvimento Regional.
O suplente de Jarbas Vasconcelos, Fernando Dueire, declarou voto em Marinho, contrariando a orientação de seu partido [4].
Procurado, o senador Eduardo Braga, líder do MDB, disse que o partido não teve acesso a quanto os senadores indicaram no final do ano e demonstrou surpresa com a indicação feita por Vasconcelos.
“Agora está explicado por que um voto que a gente tinha acertado desapareceu da minha mão. Não é fácil”, comentou.
Caso parecido é o de Jorginho Mello, ex-senador agora eleito governador com o apoio de Bolsonaro e que conseguiu R$ 9,9 milhões. Sua suplente, Ivete da Silveira, também contrariou a indicação do MDB e declarou voto em Marinho. Foram R$ 9,1 milhões liberados pelo MDR e o resto na Saúde.
Como mostrou a coluna em janeiro [5], o governo Bolsonaro burlou o fim do orçamento secreto imposto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e direcionou as indicações das “emendas de relator” para investimento sob controle dos ministérios, no qual houve uma liberação de R$ 6 bilhões no fim do ano.
Dos R$ 6 bilhões empenhados, com pagamento autorizado pelo governo, foi possível identificar R$ 2 bilhões em locais e ações em que o atendimento foi demandado através do Sistema de Indicação Orçamentária [6] (Sindorc). É o sistema montado para “formalizar” o orçamento secreto.
Dos R$ 414 milhões liberados a senadores, pelo menos R$ 123 milhões vieram do MDR, que, no ano passado, ainda estava sob influência de Marinho. O titular era Daniel de Oliveira Duarte Ferreira, braço direito do ex-ministro.
Os valores repassados a senadores podem ser maiores do que os apresentados acima, já que só foi possível identificar, neste levantamento, os pedidos que passaram pelo Sindorc.
Após a proibição do orçamento secreto pelo STF, em 19 de dezembro, o MDR enviou aos parlamentares um modelo de ofício para que os pedidos fossem apresentados como se fossem de prefeitos, contornando a decisão do Supremo, como mostrou a coluna em dezembro [7].
Foto reproduzida da Internet