O jornalista e articulista francês do jornal Le Monde Diplomatique, Serge Halimi, tem razão quando diz que “a censura é mais eficaz quando não tem necessidade de se manifestar quando os interesses do patrão, miraculosamente, coincidem com os da “informação“.
Em “Os novos cães de guarda”, Halimi fala sobre a imprensa francesa, mas sua análise pode ser transportada com algumas adaptações no Brasil e até local, digo, em Natal (RN), sobretudo na última campanha eleitoral. Qualquer semelhança com o que Serge Halimi descreve em sua obra não é mera coincidência.
Ontem, neste espaço, sugeri a leitura de “Os novos cães de guarda, da Editora Vozes. Hoje volto ao assunto porque encontrei uma colega jornalista e ela me perguntou se tinha assistido o programa “Grandes Temas” da TV-U, cujo o assunto foi a ética no jornalismo. Infelizmente perdi. Daí me veio citar Serge Halimi, que lembra um texto escrito em 1927 por Julian Benda, denunciando a “vontade do escritor pragmático de agradar à burguesia que faz as reputações e concede honrarias“.
E descreve assim o comportamento de “poderosos” jornalistas franceses: “Os jornalistas influentes gostam de chamar a atenção por suas façanhas. Quando nos artigos, revelações, retratos e entrevistas se tornam raros, eles pegam na caneta, colocam-se em cena com ternura, narram suas conquistas e dissabores, os segredos que os Grandes deste mundo lhes confiaram e suas raras jornadas de aventura e de guerra numa vida tranqüila e caseira. Esse comportamento anda de mãos dadas com um novo tipo de censura, muito mais eficaz do que aquela praticada em regimes explicitamente autoritários“.