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Sérgio Cabral e a mulher dele viram réus na Operação Lava Jato

Está no G1

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) e mais seis pessoas viraram réus nesta sexta-feira (16) em Curitiba no âmbito da Operação Lava Jato, após o juiz Sérgio Moro aceitar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) feita na quinta-feira (15). [1]

Na lista estão a mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, ex-executivos da Andrade Gutierrez e pessoas ligadas ao ex-governador.

Lista de réus
Sérgio Cabral – ex-governador do Rio de Janeiro: corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Adriana Ancelmo – mulher de Cabral: corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Wilson Carlos – secretário do governo do Rio de Janeiro durante a gestão de Cabral: corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Mônica Carvalho – esposa de Wilson Carlos lavagem de dinheiro
Carlos Emanuel Miranda – sócio do ex-governador Sérgio Cabral: corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Rogério Nora – ex-executivo da Andrade Gutierrez: corrupção ativa
Clóvis Primo – ex-executivo da Andrade Gutierrez: corrupção ativa

Mônica Carvalho, Rogério Nora e Clóvis Primo são os únicos que estão em liberdade.

O G1 tentou contato com os dois advogados do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, mas ninguém atendeu as ligações. A reportagem também tenta tenta contato com a defesa dos envolvidos.

Esta é a primeira vez que Cabral e a mulher dele viram réus na Lava Jato. O casal já é réu na Operação Calicute [2], na qual respondem por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e organização criminosa.

Segundo o MPF, o grupo teve envolvimento no pagamento de vantagens indevidas a partir do contrato da Petrobras com o Consórcio Terraplanagem Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), formado pelas empresas Andrade Gutierrez [3], Odebrecht [4] e Queiroz Galvão [5].

Segundo Moro, conforme a denúncia, as propinas teriam sido acertadas pelos   dirigentes da Andrade Gutierrez com Sérgio Cabral e pessoas ligadas ao ex-govendor.

Ao aceitar a denúncia, Moro citou que Cabral e a mulher fizeram compras de roupas, cintos, relógios e móveis de alto valor. Em uma oportunidade, de acordo com o juiz, o ex-governador gastou R$ 37,7 mil.

“Outras aquisições de bens teriam ocorrido mediante pagamentos vultosos em espécie e com, segundo a denúncia, utilização de pessoas interpostas”, afirmou o juiz.

A denúncia
Segundo a denúncia, Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, Wilson Carlos e Carlos Miranda receberam pagamento de vantagem indevida em três parcelas, entre outubro de 2008 e março de 2009, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A força-tarefa da Lava Jato pediu o ressarcimento, em prol da Petrobras [6], de R$ 2,7 milhões.

Segundo os procuradores do MPF, Sérgio Cabral e Wilson Carlos praticaram atos de ofício com infração aos deveres funcionais, no interesse da Andrade Gutierrez.

Da mesma foram, afirmaram os procuradores, eles se omitiram na prática de atos de ofício que viessem contra os interesses da empreiteira.

Conforme a investigação, o contrato foi celebrado em 2008 no valor de R$ 819,8 milhões e recebeu cinco aditivos, fazendo com que custo da obra subisse para R$ 1.179.845.319,30.

Transferência de Cabral
O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB [7]) foi preso em 17 de novembro. Em 10 de dezembro ele foi transferido para Superintendência da Polícia Federal [8] em Curitiba [9].

Cabral foi transferido por ordem do juiz Marcelo Bretas após o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciar que o ex-governador estava recebendo visitas de amigos e familiares irregulares.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que “todas as visitas de familiares do ex-governador Sérgio Cabral foram previamente cadastradas e tiveram as carteirinhas de visitantes expedidas conforme normas desta secretaria”.

A defesa de Cabral também alegou que o cliente corria perigo preso em no complexo penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.

Foto: Vera Donato/Estadão

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