Está no g1
O ex-governador Sérgio Cabral [1] passou mal e desmaiou na cadeia ao saber que o filho José Eduardo Neves Cabral é um dos procurados da Operação Smoke Free [2], deflagrada nesta quarta-feira (23) pela Polícia Federal [3] (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), contra “uma organização criminosa armada e transnacional especializada em comércio ilegal de cigarros”.
O ex-governador está preso no Batalhão Especial Prisional (BEP) [4]e estava sendo atendido, por volta das 11h, na enfermaria da unidade de saúde da cadeia, segundo o filho Marco Antônio Cabral e fontes da Polícia Militar. De acordo com a PM, o estado de saúde de Sérgio Cabral é estável.
Até a última atualização desta reportagem, 13 pessoas haviam sido presas na operação, e José Eduardo não tinha sido encontrado.
Entre os alvos também estão PMs, bombeiros, um policial federal e Adilson Coutinho Oliveira Filho, o Adilsinho, procurado desde a Operação Fumus, de junho do ano passado [5], também contra o comércio irregular de cigarros.
O g1 [6] apurou que Adilsinho viajou para os Estados Unidos há 10 dias e já é considerado foragido.
Cerca de 40 equipes foram para endereços na capital e na Baixada Fluminense, a fim de cumprir 27 mandados de prisão.
R$ 2 bi de prejuízo
A PF afirma que o grupo criminoso investigado é responsável por causar prejuízos à União de cerca de R$ 2 bilhões.
A força-tarefa conta com o apoio da US Homeland Security Investigations, a Agência de Investigações de Segurança Interna dos Estados Unidos.
A 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro [7] expediu também 50 mandados de busca e apreensão e determinou bloqueio, sequestro e apreensão de bens no valor de R$ 300 milhões. Dentre os bens, estão imóveis, veículos de luxo, criptomoedas, dinheiro em espécie e depósitos em contas bancárias.
Três anos de operações ilegais
De acordo com a investigação, iniciada em 2020, desde 2019 “o grupo criminoso reiteradamente, com falsificação ou não emissão de notas fiscais, depositava, transportava e comercializava cigarros oriundos de crime em territórios dominados por outras organizações criminosas, como facções e milícias”.
“Em consequência, efetuava a lavagem dos recursos obtidos ilicitamente e remetia altas cifras ao exterior de forma irregular”, afirma a PF.
Ainda segundo os investigadores, a quadrilha contava com “uma célula de serviço paralelo de segurança”, coordenada por um policial federal e integrada por policiais militares e bombeiros.
“O grupo econômico que suporta a organização criminosa investigada é devedor contumaz da União e possui débito tributário de aproximadamente R$ 2 bilhões, segundo informado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional”, destaca a PF.
Os investigados podem responder pela prática de crimes de sonegação fiscal, duplicata simulada, receptação qualificada, corrupção ativa e passiva, lavagem de capital e evasão de divisas.
Se condenados, podem pegar 66 anos de reclusão.
Relembre a Operação Fumus
Em junho de 2021 [5], a PF, o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) e a Receita Federal deflagraram a Operação Fumus [5], contra uma quadrilha que impôs, com violência, um monopólio na venda de cigarros no RJ.
Adilsinho e o irmão, Cláudio Nunes Coutinho, eram procurados — Cláudio foi preso somente um ano depois, em julho passado [8].
Os irmãos são apontados pelo MPRJ como os chefes da quadrilha. Os promotores dizem que eles obrigavam pequenos comerciantes de várias partes do RJ a comprar cigarros da organização criminosa. Quem não obedecia era roubado.
Foto reproduzida da Internet