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Servidores do Ministério da Cidadania denunciaram a secretária nacional de Atenção à Primeira Infância, Luciana Siqueira Lira de Miranda, por assédio moral. Segundo a denúncia, Luciana deu declarações em tom de ameaça a servidores que não votaram em Jair Bolsonaro [1] (PL [2]). A denúncia foi obtida com exclusividade pelo Estúdio i, da GloboNews [3].
Na segunda-feira (31), Luciana Siqueira convocou toda a equipe para uma reunião. Cerca de 30 servidores participaram presencialmente e dez acompanharam o encontro de forma online.
O documento obtido pelo Estúdio i cita que a secretária disse “saber exatamente quem não votou no presidente, que essas pessoas pagarão pela Justiça divina, que Deus punirá a cada um que não soube ser fiel”.
Além disso, conforme o documento, “a secretária reclamou da falta de lealdade de alguns da equipe, equiparou à traição de Judas e disse que quem vota em quem rouba não está com Deus. E disse a todos que vai infernizar todos os dias da próxima gestão e que o inferno não vai vencer o céu”.
Antes da reunião, no domingo (30), Luciana já havia criticado quem votava em Lula [4] em uma mensagem enviada no grupo institucional da secretaria. O texto foi enviado após a confirmação da derrota de Jair Bolsonaro na disputa pela Presidência da República. [5]
“Quem votou no PT [6] olha aí, já começaram bem! Orem porque essa secretaria acabou. Quem votou no PT obrigada por contribuir que nosso trabalho desça pelo ralo”, escreveu.
Investigação
Luciana Siqueira não é funcionária de carreira do Ministério da Cidadania. Ela foi indicada ao cargo por Onyx Lorenzoni [7], ex-ministro do governo Bolsonaro e candidato derrotado ao governo do Rio Grande do Sul [8].
O pedido da indicação de Luciana ao cargo veio do general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.
Depois dos episódios no grupo institucional da secretaria e na reunião, servidores denunciaram Luciana ao Ministério Público Federal [9], à Ouvidoria do Ministério da Cidadania e à Controladoria-Geral da União.
Ninguém foi demitido ou transferido, mas as ameaças continuaram no trabalho.
O Ministério da Cidadania informou “que a denúncia já está em apuração preliminar pelos órgãos de controle interno. A pasta acrescenta que a investigação contará com a participação da Corregedoria e da Comissão de Ética Pública do órgão”.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil