A Época capitulou ou a matéria sobre o avião do deputado João Maia (PR-RN) não declarado à Justiça Eleitoral não deu o ibope esperado. Sim, porque vasculhei o site da revista nesta segunda-feira (9) e não encontrei sequer uma nota de seus colunistas sobre o assunto. Nem mesmo a nota divulgada pelo deputado à imprensa do Rio Grande do Norte justificando a compra da aeronave e o por que de não ter declarado à Justiça Eleitoral.
Ressalte-se que, de um modo geral, a imprensa não deu uma única linha hoje sobre o caso. Nem mesmo sobre a mansão de Agacial Maia avaliada em R$ 5 milhões, que está em seu nome, digo, de João Maia, e que também não foi declarada à Justiça Eleitoral. Ainda no domingo (8), a coluna Painel da Folha falava que a degola de Agaciel Maia da diretoria-geral do Senado ameaçava respingar no irmão, que escondeu a posse do “castelo de Agaciel” e que poderia ser cobrado pela Corregedoria da Câmara. Mas insinuou que por ser primo do líder do DEM, José Agripino Maia (RN) e parente distante do presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), isso poderia não acontecer.
Verdade ou não, o fato é que as denúncias envolvendo Agaciel Maia e seu irmão, deputado João Maia, arrefeceram-se nesta segunda-feira. Credito isso talvez a matéria de capa da Veja, enfocando uma suposta bisbilhotagem paralela do delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, a figurões da política nacional e até mesmo o presidente do STF [Supremo Tribunal Federal], ministro Gilmar Mendes, que teve uma grande repercussão em Brasília.
Contudo, confesso que esperava a Época suitar a matéria sobre o bimotor de João Maia, já que ele divulgou nota dando a sua versão sobre a não declaração da aeronave à Justiça Eleitoral. Das duas uma: ou o parlamentar não enviou a nota à redação da Época, ou a revista esperava que a matéria tivesse repercussão no Congresso para dar continuidade ao assunto. Como a primeira vista não teve, o silêncio sepulcral foi a solução encontrada.
Não custa salientar que a executiva nacional do DEM pediu a desfiliação do deputado Edmar Moreira (MG) por ter sido acusado entre outras coisas de não declarar a posse de um castelo em Minas Gerais. O deputado negou a denúncia e argumentou que transferiu o castelo para os seus dois filhos.