Por Roberto Maltchik, O Globo
Há 11 anos, a saúde pública na Inglaterra estava em frangalhos. Pressionado por casos emblemáticos, como o da mãe do Lord Winston, que morreu na fila de espera, o governo se viu obrigado a promover uma traumática revolução no seu sistema, universal como no Brasil.
Engenheiro, auditor e especialista em gestão pública, o brasileiro Sérgio Seabra fez do caso inglês a sua tese de doutorado pela Universidade de Bath (Inglaterra).
Seabra conta que “rolaram cabeças e não foram poucas” para que a saúde pública ganhasse um rumo novo na Inglaterra. E admitiu que o sistema federativo e a falta de cultura de cobrança sobre os gestores públicos tornam o desafio bem mais complicado por aqui.
Qual foi o ponto chave da reestruturação do sistema de saúde da Inglaterra?
Um ponto marcante foi a criação de um mecanismo robusto para o controle do desempenho dos hospitais públicos e uma forte pressão do governo sobre os gestores dos hospitais para que eles buscassem atingir os padrões de desempenho. Entre os padrões de desempenho estabelecidos estavam o tempo de espera na emergência, que deveria ser inferior a quatro horas, e o tempo de espera para operação de no máximo três meses.
Que tipo de controle acompanhou a introdução de metas e indicadores?
Foi criada a Comissão de Auditoria, que auditava o desempenho financeiro dos hospitais, e a Healthcare Commission, que apurava e avaliava, anualmente, o desempenho dos hospitais em relação a metas e indicadores estabelecidos. Um núcleo do governo central monitorava o desempenho dos hospitais em relação a diversos indicadores. Denúncias de manipulação dos dados de desempenho eram investigadas e os responsáveis severamente punidos.
É possível definir indicadores confiáveis sem o controle adequado?
O problema maior não é definir indicadores e metas, mas fazer com que os gestores busquem alcançá-las. Além de definir indicadores confiáveis, é preciso estabelecer um sistema eficiente e confiável de monitoramento, além de mecanismo de incentivos. Sem esses três elementos, um sistema de controle do desempenho tem pouca chance de prosperar.
Leia a íntegra da entrevista em Sérgio Seabra, especialista em gestão, conta como a Inglaterra tomou medidas extremas para melhorar seu sistema de saúde pública [1]
Obs do blog: Leia meu comentário sobre a questão saúde clicando em Editorial [2]