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Súplica a Nossa Senhora Aparecida

por Stella Galvão

Ó Mãe Aparecida, Senhora negra das águas surgida, singela e pequena, protetora dos pobres, amparo verdadeiro, vem em nosso socorro, Mãe querida, guarda o Brasil, protege a nossa vida!

Livra esta pátria dos males profundos, dos ódios semeados, dos falsos mundos, dos que fazem da Pátria um negócio privado, do poder convertido em antecâmara do inferno.

Livra-nos, Senhora, dos que só querem o bem de si mesmos, dos que se esquecem de que a coisa pública é bem de todos, não propriedade de alguns poderosos.

Dos que planejam vender a terra, o mar e o chão, dos que sonham entregar ao estrangeiro a riqueza da nação: Nossa floresta, nossos rios, nossos minerais, nossa água, nossa terra, nossos mananciais.

Vem em nosso socorro, Mãe Aparecida, não deixes nossa Pátria ser leiloada e dividida!

Livra-nos dos que pretendem, em nome do neoliberalismo, roubar dos nossos filhos o pão da sabedoria; dos que cortam da escola os recursos e a esperança.

Livra-nos dos que fazem da saúde um privilégio, dos que condenam o pobre à dor e ao desamparo, dos que tratam aposentados como um peso indesejado, depois de uma vida inteira de trabalho.

Livra-nos dos que só olham para cima, para a elite que acumula, para o lucro que domina; dos que veem no povo um estorvo, uma ameaça, e não a força soberana que mantém toda uma Nação.

O povo não é sombra, não é massa sem destino, não é plateia silenciosa no teatro do poder: é sujeito da História, é caminho e vozo, é quem tem o direito de escolher! E que escolha bem, mãe!

Vem em nosso socorro, Senhora Aparecida, devolve ao povo brasileiro a consciência de uma escolha vital!

Livra-nos, Mãe, da intolerância que humilha, do preconceito que fere, da violência que aniquila; dos misóginos que investem contra a mulher, dos predadores que abusam daqueles que jugam indefesos.

Protege o povo negro, tantas vezes maltratado, @s de gênero diverso, tantas vezes perseguid@s, os povos indígenas, guardiões da memória e de saberes antigos.

Protege a Amazônia, nossa imensa catedral: não permitas que a ganância, em sua fome desmedida, faça da mata um deserto, do solo indígena uma terra de desolação.

E livra-nos, Mãe santa, do terror das armas, das mãos que as levantam, das vidas interrompidas; não permitas que mais sangue seja derramado, que nenhuma visão extremista nos ensine a exterminar.

Mas não basta, Senhora, que nos livres do perigo: dá-nos olhos para enxergar o que se esconde sob o abrigo; dá-nos coragem para defender a verdade.

Que o povo brasileiro, unido em sua diversidade, recupere a memória, a esperança e a vontade, que não se deixe enganar por promessas ilusórias, nem entregue aos entreguistas perversos o rumo da própria história.

Que compreenda que a democracia, embora imperfeita, é uma chama que se guarda, é um portal de acesso ao debate e à diversidade de pontos de vista.

Ó Mãe Aparecida, Senhora do povo brasileiro, guarda a nossa democracia, nosso chão e nosso destino; não permitas que a cobiça seja o nosso derradeiro horizonte, nem que o ódio nos desvie do caminho.

Vem em nosso socorro, Senhora Aparecida! Pelo Brasil que trabalha, estuda, que luta, pelo Brasil que não aceita a opressão. E que o Brasil, de norte a sul, do centro-oeste ao Nordeste, seja digno de seu povo, de sua terra e de sua história. E diga um NÃO rotundo ao projeto miliciano. E que seja Nossa Senhora nossa eterna protetora e padroeira.

Que assim seja, AMÉM!

*Stella Galvão é jornalista, cronista e colaboradora do blogdobarbosa

Imagem ilustrativa

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