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O tarifaço dos EUA enfrenta resistência de mais de 40 empresas e associações americanas, que alertam para alta de custos e risco às cadeias produtivas caso o governo do presidente estadunidense Donald Trump avance com a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo o G1, o Itamaraty identificou manifestações contrárias à medida em meio ao processo de consultas públicas aberto nos Estados Unidos. As entidades argumentam que diversos produtos importados do Brasil não contam com substitutos equivalentes no mercado doméstico americano, o que poderia pressionar preços, afetar consumidores e encarecer insumos utilizados por indústrias dos Estados Unidos.
A proposta tarifária faz parte de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR. O órgão afirma que determinadas práticas brasileiras “oneram ou restringem” o comércio americano. Entre os temas citados no relatório estão o funcionamento do Pix, decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países, barreiras ao etanol dos EUA, proteção à propriedade intelectual, combate ao desmatamento ilegal e medidas anticorrupção.
Ainda de acordo com o G1, o Itamaraty foi questionado sobre quais empresas, associações e produtos constam no mapeamento, mas não respondeu até a última atualização da reportagem original. A decisão final do governo americano sobre a eventual aplicação das tarifas deve ocorrer após as etapas de consulta previstas na legislação dos Estados Unidos.
As audiências públicas reuniram representantes de setores brasileiros e americanos ligados a café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual. O ponto central das manifestações é que a taxação poderia gerar efeitos negativos não apenas para exportadores brasileiros, mas também para companhias americanas que dependem desses itens como matéria-prima ou componente de produção.
Para o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham, Abrão Neto, a adoção de novas tarifas prejudicaria os dois países. “A aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial”, afirmou.
Neto também destacou que a participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor patamar já registrado. No mesmo intervalo, as importações brasileiras vindas dos Estados Unidos recuaram 11%, um dado usado por representantes empresariais para reforçar o argumento de que novas barreiras comerciais poderiam reduzir ainda mais a presença americana no mercado brasileiro.
“Essas tendências sugerem que tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a presença comercial e a influência econômica dos EUA em um dos maiores mercados emergentes do mundo, abrindo espaço para que concorrentes estrangeiros ampliem sua participação de mercado às custas das empresas americanas”, complementou Abrão Neto.
Outro argumento apresentado nas audiências é que o encarecimento de produtos brasileiros pode ter efeito contrário ao pretendido pela política comercial do governo Donald Trump. Ao dificultar o acesso a insumos do Brasil, a medida poderia aumentar a dependência de cadeias produtivas americanas em relação a componentes e mercadorias vindos da China.
A possibilidade de uma sobretaxa de 25% preocupa exportadores brasileiros porque os Estados Unidos são um dos principais destinos de produtos industriais e agroindustriais do país. Para setores que já enfrentam concorrência internacional acirrada, uma tarifa adicional poderia reduzir margens, afetar contratos e diminuir a competitividade no mercado americano.
Do lado dos Estados Unidos, empresas e associações sustentam que a medida também pode provocar aumento de preços internos, especialmente em segmentos que utilizam importações brasileiras para manter regularidade de fornecimento. A crítica central é que, sem produção doméstica suficiente para substituir determinados itens, o custo da tarifa tende a ser repassado ao setor produtivo e ao consumidor final.
O governo americano prevê concluir a fase de consultas e decidir sobre a eventual aplicação das medidas até 15 de julho. Até lá, entidades empresariais dos dois países tentam convencer Washington de que o tarifaço sobre produtos brasileiros pode produzir impactos econômicos negativos em ambos os lados da relação comercial.
Foto reproduzida da Internet