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Temer, Skaf e o pato golpista

por João Gualberto Junior, no jornal O Tempo
Uma frase pipocou por aí, mais ou menos assim: não existe deputado em dúvida; existe deputado que espera para vender seu apoio mais caro. A reação do governo, de Lula inclusive, à derrota acachapante na votação do impeachment na Câmara denunciou a negociata. Havia parlamentares no cálculo palaciano que votaram contra Dilma no fim das contas.
 A razão do pêndulo? A lógica do leilão. Às vésperas da votação, a imprensa golpista bradou que Dilma estava em liquidação, negociava cargos em troca de voto. Se o governo tinha cadeiras para trocar, qual foi o atrativo do outro lado? Um colunista de peso da “Folha” publicou que o preço combinado foi de R$ 1 milhão pela abstenção e R$ 2 milhões pelo voto “sim”.
Se rolou mala preta, de onde veio a grana? Escreveu o jornalista que talvez “o pato da Fiesp” soubesse a origem. Está para ser escrito na história o papel, em função e dimensão, da Federação das Indústrias de São Paulo no golpe em curso. Os meios pelos quais agiu em 1964 em apoio ao Exército só recentemente foram revelados, com a divulgação de documentos da Escola Superior de Guerra. Na nova derrocada, ainda é preciso tempo. Outra vez, a questão é “follow the money”.
Ingênuo pensar que os movimentos anti-Dilma tenham força espontânea e que seus jovens líderes sacrifiquem as economias de suas famílias pela derrubada do governo. A organização dos atos, o material de campanha, logomarcas, sites, viagens, lobbies, quem financia? Da venda de camisetas e pixulecos delivery é que não é. Aliás, a fábrica que fez os grandes bonecos infláveis de Lula e Dilma vestidos de presidiários é a mesma do pato anti-CPMF?
 Como o japonesinho e seus amigos num dia estão nas entranhas da Câmara acharcando deputados e, no outro, em Nova York para monitorar o discurso da Dilma na ONU? É íntima a relação de Temer com Paulo Skaf. Foi o vice traidor quem levou o empresário do ramo têxtil para o PMDB em 2011 e, três anos depois, apadrinhou a candidatura dele ao governo paulista. Seria essa parceria o núcleo gestor do golpe desde a reeleição ao fim de 2014? Imaginávamos ter sido o PSDB e satélites, solapando o governo, questionando a eleição e provocando o TSE.
Mas não estaria Temer, dissimulado, contando com as manobras do gângster Cunha e o poder financeiro da Fiesp, agindo há 18 meses para puxar o tapete da cabeça de chapa? A entidade patronal, a maior do Brasil, responde por uns 12% do PIB do país. Imaginemos os desdobramentos no setor produtivo nacional de uma greve branca coesa promovida pelo empresariado paulista retendo investimentos. Imaginemos o volume de parlamentares que tem sob as mangas. Mas a coisa vai além: a “Ponte para o Futuro”.
 A cartilha liberal é o protocolo de apoio ao golpe. Quem não leu que leia o tamanho da guinada. O documento diz esperar contar com “uma maioria política articulada com os objetivos deste crescimento” para a construção de um Estado “democrático e justo”. Mas, pelos meios, percebe-se que democracia e justiça passam longe das prioridades. À época do lançamento da Ponte, há uns seis meses, Skaf disse se tratar de um programa não para Temer em 2018, mas para “um governo de transição”. Quem pode, pode.
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