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Todo político tem o seu “Castelo”

Leopoldo.jpgO líder do DEM no Senado, José Agripino Maia, tenta justificar o dinheiro doado pela construtora Camargo Corrêa ao diretório do DEM no Rio Grande do Norte para as campanhas a prefeito no ano passado no estado. Agripino, confirma que o DEM recebeu R$ 300 mil da construtora, “mas foi tudo legal, registrado e recebido”, e já tratou de distribuir cópia de um “recibo de doação” à imprensa, em que a tesoureira do partido no estado, Fátima Lapenda, atesta o recebimento do dinheiro. O documento é datado de 15 de setembro de 2008.

Ora, ora, ora senador. Que a transação foi legal, inclusive, com a transferência sendo feita na conta do partido no Banco do Brasil, isso ninguém discute. O problema senador está no fato de que a Polícia Federal, com base em investigações e escutas telefônicas suspeita de que o dinheiro seja sujo. A Operação Castelo de Areia, para chegar ao líder do DEM rastreou crimes financeiros, lavagem de dinheiro e doação ilegal para partidos políticos. E tem mais: O senador mesmo confessa à revista Época que não se lembra quem da Carmargo Corrêa tratou da doação, mas que recebeu a notícia do depósito por um representante da Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo] em Brasília, de nome Luiz Henrique Maia Bezerra. A Fiesp, segundo as investigações da PF, tem nomes ligados a intermediação de repasses ilegais feitos pela construtora a partidos políticos.

Quanto a Fátima Lapenda, ela teve o seu nome cotado para participar do secretariado da prefeita eleita de Natal, Micarla de Souza (PV). Aliás, o seu secretariado tem a cara do Demos, como já dissemos em outras matérias anteriormente. Certamente é a cobrança da fatura. A pergunta que não quer calar é, se o DEM do Rio Grande do Norte recebeu essa doação de R$ 300 mil da Camargo Corrêa às vésperas das eleições para prefeito – 15 de setembro de 2008, conforme o próprio senador Agripino Maia – e se ele mesmo diz que foi o maior doador da campanha da “borboleta”, e seu nome não aparece na lista de doadores oficiais, tudo leva a crer que o dinheiro doado deva estar nos 87% da arrecadação do diretório estadual do PV no Rio Grande do Norte declarada à Justiça Eleitoral. Ou seja: a doação do dinheiro de Agripino à campanha de Micarla certamente foi retirada dos R$ 300 mil doados pela Camargo Corrêa ao DEM. Claro, e uma outra parte desse dinheiro deve ter ído para a reeleição da prefeita de Mossoró, Fafá Rosado, que é do partido.

Agora é bem capaz de aparecer alguém e dizer que foi algum político do Rio Grande do Norte que denunciou o senador José Agripino Maia à Polícia Federal na tentativa de atrapalhar o seu projeto de reeleição, como fizeram no caso do deputado João Maia (PR-RN), pretenso candidato a governador do estado, que a Época denunciou que além da mansão do seu irmão Agaciel Maia, ex-diretor geral do Senado, estar em seu nome e não declarado à Justiçla Eleitoral, ele tem também um bimotor que não consta de seus bens na declaração.

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