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A jornalista Eliane Cantanhêde, em artigo [1] publicado no jornal Estado de S. Paulo, fez sua análise sobre as investigações da Polícia Federal (PF) em torno da tentativa de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro. O inquérito, que já ultrapassou 800 páginas, aponta para um esquema detalhado de financiamento e execução de um plano que visava prender ou até mesmo eliminar o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De acordo com as apurações da PF, reveladas por Cantanhêde, o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e vice na chapa de Bolsonaro em 2022, teria sido o responsável por providenciar os recursos para a operação. Braga Netto foi preso, tornando-se o primeiro general detido no período pós-redemocratização. O relatório também aponta a participação do tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro, que agia como elo entre os golpistas e o ex-presidente.
O plano golpista: “Punhal Verde e Amarelo”
O relatório da PF detalha que, em 8 de novembro de 2022, os envolvidos discutiram um plano operacional para prender ou assassinar Moraes. O documento, intitulado “Punhal Verde e Amarelo”, foi finalizado no dia seguinte, impresso no Palácio do Planalto e levado ao Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro e Cid estavam presentes.
Nos dias seguintes, o major Rafael Martins de Oliveira e Mauro Cid ajustaram os detalhes da operação diretamente com Braga Netto, em reuniões realizadas na casa do general. Uma mensagem trocada entre os envolvidos em 14 de novembro revela a tentativa de financiar a operação, com Cid prometendo disponibilizar R$ 100 mil para despesas iniciais.
“Todos os caminhos levam a Bolsonaro”
A investigação questiona a origem do dinheiro utilizado na articulação do plano golpista. A hipótese inicial sugere que os recursos vieram do Partido Liberal (PL), presidido por Valdemar Costa Neto, ou do setor agroindustrial. Segundo o relatório, Braga Netto teria transportado a quantia em uma mala de vinho.
Cantanhêde destaca que, para a PF, “todos os caminhos levam a Bolsonaro”. Cid teria transmitido ordens em nome do ex-presidente às tropas, enquanto Braga Netto organizava o financiamento da operação. As evidências reforçam o papel de Bolsonaro como figura central na trama antidemocrática.
Contexto histórico e desdobramentos
A prisão de Walter Braga Netto marca um episódio histórico: é a primeira vez que um general de quatro estrelas é detido desde a redemocratização do Brasil. A PF agora avança na busca por novos depoimentos e provas, incluindo a atuação de outros nomes importantes no esquema golpista.
Com os desdobramentos da investigação, Bolsonaro e seu círculo mais próximo enfrentam um cerco jurídico cada vez maior, colocando em xeque as estratégias de defesa do ex-presidente e de seus aliados.
Foto reproduzida da Internet