Está no Blog da Sandra Cohen
Um símbolo da era nazista ressoa novamente do governo americano, agora replicado pelo próprio presidente. Donald Trump [1] repostou em sua plataforma Truth Social a imagem de um triângulo rosa invertido e coberto com um sinal de proibido em vermelho, reacendendo o sinal de alarme e a ira entre a comunidade LGBTQIA+.
A ideia era reproduzir um artigo de opinião do colunista Jeremy Hunt, do jornal conservador “The Washington Times”, elogiando seu governo por proibir tropas transgênero das Forças Armadas [2]. Mas Trump-sem-filtro propagou a imagem perturbadora e diretamente vinculada à perseguição de gays e transgêneros no nazismo – estima-se que 15 mil foram enviados aos campos de concentração e submetidos a experiências médicas, castração e execuções.
A mensagem do governo é reincidente. Colaboradores do presidente, como Elon Musk e Steve Bannon, cumprimentaram suas audiências com saudações imediatamente associadas ao nazismo. [3]
Os primeiros atos de Trump, ao reassumir a Casa Branca, foram destinados a erradicar os programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) de órgãos federais [4], sob a alegação de que eram discriminatórios, ilegais e imorais. Os gêneros foram definidos apenas como dois: masculino e feminino [5]. Jovens transgênero tiveram a assistência médica cortada.
Pessoas trans passaram a ser consideradas inadequadas ao serviço militar [6], de acordo com outra ordem executiva assinada em janeiro por Trump, que reforçou a tarefa de removê-las das Forças Armadas. [7]
O presidente recebeu o aval do colunista Jeremy Hunt, veterano militar:
“O presidente Trump e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, estão realizando em semanas o que geralmente leva anos A desconstrução das distrações da era Biden por este governo e o redirecionamento do Pentágono estão avançando em ritmo alucinante. Aqueles que serviram nas forças armadas da nossa nação não poderiam estar mais gratos”, afirmou, no artigo reproduzido com a imagem de uma TV com sinal de proibido atravessando o triângulo rosa e automaticamente repostado pelo presidente.
A comunidade LGBTQIA+ se apropriou na década de 70 do símbolo triângulo rosa – que durante o nazismo equivalia à estrela amarela usada pelos judeus – como sinônimo de resistência e orgulho, e não de vergonha. Mas o sinal vermelho de proibição, compartilhado por Trump em sua rede social, é autoexplicativo.
*Sandra Cohen é especializada em temas internacionais, foi repórter, correspondente e editora de Mundo em ‘O Globo’
Foto reproduzida da Internet