Na política tem certas coisas que a gente não consegue entender. De uns meses pra cá o ensaio de políticos para troca de partido foi uma coisa asssim avassaladora. Conversa daqui, conversa dali, queixas daqui, queixas dali. Enfim, um vai e vem sem fim.
Agora, com a decisão do STF sobre o período que a fidelidade partidária deve vigorar a coisa parece teve um fim, e de certa forma inesperado para a classe política que foi pega com as calças na mão, literalmente falando.
A decisão do Supremo – mesmo que não tenha ido a origem dos mandatos – fixou uma regra de 27 de março de 2007 para frente -, que produzirá uma inevitável tendência ao afunilamento do quadro partidário. Isso se dá, por um lado, pela maior previsibilidade em estar nos quatro maiores partidos – PMDB, PSDB, DEM e PT -, e por outro pela completa imprevisibilidade em siglas sem nenhuma expressão. Com isso teremos uma escala de previsibilidade que é muito maior nos quatro grandes e mínima nos chamados partidos de aluguel.
Como a decisão do Supremo não foi favorável as pretenções de nossos políticos, que já articulavam apoios – os pré-candidatos a prefeito de Natal principalmente – e arranjos para formação de coligações partidárias, parece-me que tudo agora fica como dantes no quartel de Abrantes.
Senão vejamos: Micarla de Souza permanece no PV de onde não deveria ter tentado sair e Robinson Faria e seu grupo político podem até se filiar ao PP, até porque não é candidato a nada nas próximas eleições e o número de votos que obteve nas eleições para deputado estadual foram dele, nada devendo ao PMN ou a coligação. Quanto aos vereadores que mudaram de partido, exceto Júlio Protásio que deixou o PV para se filiar ao PSB após 27 de março último, todos os outros também podem ficar tranqüilos, pois não desrespeitaram o limite estabelecido pelo Supremo.
O caso de Júlio Protásio é complicado porque ele deixou o PV recentemente e se filiou ao PSB na semana passada. O primeiro suplente do PV, Ubaldo Fernandes, já pensa questionar isso na Justiça Eleitoral querendo a vacância do cargo. Mas, há informações de que o pedido de desfiliação de Protásio ao PV não teria dado entrada junto ao TRE. Com isso, oficialmente ele ainda estaria no PV. É o jeitinho brasileiro pra driblar o direito.