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Um Editorial mais que atual

Aproveitando a polêmica que o colega Ricardo Rosado criou em seu blog, o Fator RRH, sobre o Carnatal – carnaval fora de época que acontece na capital potiguar todo início de dezembro -, republico hoje um Editorial que escrevi em 5 de dezembro do ano passado sobre o assunto: Segue o texto:

Está na hora de se repensar o Carnatal

Não sou contra o Carnatal – carnaval fora de época que acontece em Natal no final de novembro e início de dezembro -, mas já está mais do que na hora de se repensar o evento. Não no sentido de seu formato, com trios elétricos, corredor da folia, enfim, mas no sentido, sobretudo, de sua localização e ocupação do espaço físico.

Não discuto aqui os dividendos que o Carnatal propicia para a economia da cidade, embora não se saiba durante estes 20 anos o quanto a Secretaria Municipal de Tributação arreacadou em termos de impostos com o evento. O que se sabe é que hotéis e pousadas se beneficiam, bem como vendedores ambulantes. Os primeiros, por obrigação, têm que declarar tributos, mas os segundos, por pertencerem a economia informal, não os declaram. Contudo, não se sabe, repito, os números que a prefeitura arrecada com esse evento. Isso estou falando apenas da rede hoteleira, sem falar em bares e restaurantes e, claro, da própria Destaque, empresa promotora do evento, e dos blocos que do Carnatal participam.

Mas quero me deter na questão da localização, há muito criticado por parte da imprensa e moradores da redondeza – digo, Lagoa Nova – onde o Carnatal está concentrado. É hora de se pensar numa mudança de local. Fala-se que se Natal vingar mesmo – o que não acredito – como uma das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014, o Carnatal necessariamente terá que sair de Lagoa Nova. Portanto, já no próximo ano. O que se comenta é que em não sendo em Lagoa Nova, o evento passaria a ser realizado numa arena fechada, como é hoje o Fortal em Fortaleza (CE), descaracterizando assim a micareta.

É claro que ao se modificar o formato do evento isso acarretaria em que muitos dos foliões de fora deixassem de vir à Natal, até porque o atual formato é uma espécie de um mini-carnaval baiano. Disso não tenho dúvidas. Mas, digamos, que se Natal não for contemplada com a Copa 2014 a tendência é o Carnatal permanecer aonde está. Daí a grande preocupação dos moradores da redondeza. Os transtornos causados pelo Carnatal são inúmeros, desde o mau cheiro até a impossibilidade de locomoção para quem reside na área depois que o evento tem início.

A “briga” entre moradores de Lagoa Nova e a Destaque é antiga e sempre a empresa promotora do Carnatal empurra com a barriga. A Destaque é tão “poderosa” que até o calendário do vestibular da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) foi antecipado para não prejudicar o evento. Antes o vestibular era realizado no início de dezembro. Em função do Carnatal passou a ser em meados de novembro. Quanto ao horário, o Ministério Público Estadual estabeleceu um limite para o encerramento a cada noite, mas mesmo assim muitas vezes esse limite é desrespeitado.

Bem, não vou entrar nesse mérito. Entendo sim que a permanecer no local e no formato que está já é hora da prefeitura de Natal cobrar uma contribuição maior da Destaque para a cidade, até porque o vice-prefeito Paulinho Freire é um dos sócios da empresa promotora do evento. E quando falo de uma contribuição maior estou falando da Destaque recompesar os cidadãos e cidadãs natalenses por estes 20 anos de ocupação de uma área pública, inclusive, privatizando, no caso do corredor da folia.

Por que não seguir o exemplo do ex-governador do Rio Leonel Brizola que construiu um Sambódromo para o desfile das escolas de samba e que esse mesmo Sambódromo depois se transforma em escolas públicas. A Destaque pode fazer isso. Transformar o chamasdo Corredor da Folia numa espécie de Axédromo. Sim, Axédromo, já que a música predominante é o Axé da Bahia vou utilizar esse nome. E como se faria isso? Simples: A Destaque construiria camarotes e arquibancadas onde hoje é o Corredor da Folia que depois poderia ser transformado em escolas municipais ou até mesmo num Centro Administrativo para a prefeitura de Natal. Com isso, poderia passar um período, digamos, isenta de pagar impostos. Dez anos, por exemplo.

Com a palavra a prefeita Micarla de Souza!

Em tempo: Na época em que escrevi o texto cogitava-se Natal ficar fora da Copa. Mas, ao contrário, Natal será sim contemplada como uma das 12 sedes do Mundial de futebol. O estádio Machadão e o ginásio de Esportes foram derrubados e o Carnatal permameceu no mesmo lugar. Sinal de que a Destaque é “forte”. Mas falta agora um prefeito capaz de “peitar” a Destaque e obrigá-la a realizar o evento em outro local, com tudo bancado por ela, a Destaque, claro.

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