por Carlos Alberto Barbosa
Critico do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, o escritor e filólogo italiano Umberto Eco, já falecido, afirmou certa vez que as redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”.
– Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel, disse o intelectual.
Segundo Eco, a TV já havia colocado o “idiota da aldeia” em um patamar no qual ele se sentia superior. “O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”, acrescentou.
O escritor ainda aconselhou os jornais a filtrarem com uma “equipe de especialistas” as informações da web porque ninguém é capaz de saber se um site é “confiável ou não”.
Me reportei a Umberto Eco para falar sobre os cuidados que se deve ter com as redes sociais, que ao mesmo tempo contribui para disseminar a informação mais rapidamente, também contribui para difamar pessoas e instituições.
Hoje basta um celular a mão. Pronto, está feito a “reportagem” ou pelo menos a sugestão de pauta. No celular o portador faz o vídeo ou o áudio, dependendo da oportunidade, e produz um texto e manda pelo watsapp a quem interessar possa.
Não se tem escrúpulo nenhum. Um indivíduo invade uma reunião, que sequer foi convidado, fala poucas e boas de quem não lhe agrada. Aí, vai outro, também sem escrúpulo, filma o que o primeiro estar a dizer e grava o áudio. Surge então a sugestão de pauta que muitas vezes é aproveitado do jeito que é enviado para os blogs e portais.
Devo repetir o que disse um colega de profissão, ou seja, “muitas pessoas de posse de um smartphone estão fazendo estragos nas vidas das outras, de governos, de empresas, de maneira que a gente ainda não mensurou”. E é verdade!
Como disse Umberto Eco, “o drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.
Tenho dito!