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A União Europeia reagiu à polêmica envolvendo a liberação do atacante Folarin Balogun para disputar as oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica após a suspensão do jogador ter sido revertida pela Fifa. Segundo informações publicadas pelo POLITICO [1], representantes da Comissão Europeia e da Uefa defenderam a autonomia das entidades esportivas e alertaram para os riscos da interferência política em decisões disciplinares.
O caso ganhou repercussão internacional depois que Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, conversou com o presidente da FIFA, Gianni Infantino. Pouco depois, a entidade decidiu suspender os efeitos da punição que impediria Balogun de atuar diante da Bélgica, provocando críticas de autoridades europeias e dirigentes do futebol.
Em entrevista nesta segunda-feira, a porta-voz da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, evitou comentar diretamente o caso do atacante norte-americano, mas reforçou princípios considerados fundamentais para a governança esportiva.
“Respeitamos a autonomia do esporte e o direito das federações esportivas de decidir sobre os critérios sob os quais os participantes competem”, afirmou.
Na sequência, a representante da Comissão ressaltou que essas decisões precisam seguir critérios claros e imparciais. “Qualquer decisão desse tipo deve, obviamente, ser tomada com base em critérios objetivos e transparentes”, declarou, acrescentando que “a União Europeia apoia o princípio do fair play e da competição transparente”.
Caso Balogun provocou crise entre Europa e FIFA
Folarin Balogun havia sido expulso durante a partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina, válida pela fase eliminatória da Copa do Mundo. Pela regulamentação da Fifa, o cartão vermelho acarretava suspensão automática para o jogo seguinte, justamente o confronto contra a Bélgica.
Após a conversa entre Trump e Infantino, porém, a punição foi suspensa. A FIFA não confirmou detalhes sobre eventuais contatos entre seus dirigentes e autoridades políticas, mas informou ao POLITICO que um comitê disciplinar independente foi responsável por suspender a sanção de uma partida.
A decisão alimentou questionamentos sobre a independência da entidade máxima do futebol mundial e abriu uma nova frente de críticas na Europa.
Comissário europeu afirma que políticos não devem interferir no esporte
O comissário europeu para o Esporte, Glenn Micallef, adotou um tom ainda mais duro ao comentar o episódio. Em publicação na rede X, ele afirmou que decisões esportivas devem permanecer sob responsabilidade exclusiva das entidades que administram as competições.
“As decisões sobre regras esportivas e assuntos esportivos pertencem às entidades esportivas, não aos políticos”, escreveu.
Na mesma mensagem, acrescentou que “influenciar decisões esportivas comprometeria a autonomia do esporte”.
Micallef também afirmou considerar que a Fifa tomou “a decisão errada” e defendeu que o foco da entidade deveria estar voltado para “os verdadeiros desafios de governança do esporte, incluindo a instrumentalização do esporte para fins políticos”.
Em declaração ao POLITICO, ele afirmou que a medida adotada pela Fifa “claramente levanta muitas questões”.
Prévot acrescentou que, “se realmente foi uma ligação telefônica que levou a essa decisão incompreensível, isso equivaleria a minar as regras mais básicas do futebol e do esporte”, além de colocar em dúvida a capacidade da Fifa de “defender de forma crível o fair play”.
Governo britânico também defende independência das entidades esportivas
A repercussão do episódio chegou ao Reino Unido. Questionado sobre a intervenção de Trump, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também defendeu que decisões disciplinares permaneçam sob responsabilidade exclusiva da Fifa.
Por meio de um porta-voz, Starmer afirmou que “essas decisões são uma questão da entidade que governa o futebol mundial e devem continuar sendo assim”.
A nota acrescenta ainda que “o primeiro-ministro apoia a integridade das competições em todos os esportes”.
Foto: MICHAEL STEELE/AFP