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O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, praticamente rifou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto ao admitir o impacto político do escândalo envolvendo o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master. Na Globonews, ele afirmou que Flávio foi a Vorcaro, já em prisão domiciliar e com tornozeleira eletrônica, para cobrar dinheiro.
Em entrevista repercutida pelo UOL [1], Valdemar também descartou a possibilidade de Michelle Bolsonaro disputar a Presidência da República.
Ao tratar do cenário eleitoral da extrema direita para 2026, o dirigente afirmou que a ex-primeira-dama “está fora de questão” e apontou a senadora Tereza Cristina (MS) como possível integrante da chapa presidencial. “Tereza Cristina seria uma candidata [a vice] em potencial. Quem vai decidir isso é o Bolsonaro”, declarou.
A declaração ocorre em meio ao aprofundamento da crise política enfrentada por Flávio Bolsonaro, cuja viabilidade eleitoral passou a ser colocada em dúvida após a divulgação de um áudio pelo Intercept Brasil, em 13 de maio. Na gravação, o senador aparece cobrando recursos de Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo as informações divulgadas, a produção recebeu R$ 61 milhões em pagamentos feitos entre fevereiro e maio de 2025. O valor total negociado entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro teria chegado a R$ 134 milhões. O acordo, porém, foi abalado pelos desdobramentos das investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master, que culminaram na prisão do ex-banqueiro.
O episódio ampliou o desgaste da família Bolsonaro e reforçou questionamentos dentro do próprio campo bolsonarista sobre a viabilidade eleitoral do senador fluminense. A crise ganhou ainda mais repercussão após a revelação de que Flávio visitou Vorcaro em São Paulo, em novembro de 2025, quando o ex-banqueiro já estava em prisão domiciliar e utilizava tornozeleira eletrônica.
O impacto político já aparece nas pesquisas eleitorais. Levantamento Datafolha divulgado na última sexta-feira mostrou que o presidente Lula ampliou a vantagem sobre Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. No primeiro turno, Lula passou de 37% para 40%, enquanto Flávio caiu para 31%, elevando a diferença entre os dois de três para nove pontos percentuais.
No cenário de segundo turno, o presidente Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro. No levantamento anterior, ambos estavam empatados com 45%.
As declarações de Valdemar indicam uma tentativa do PL de reorganizar o tabuleiro político da extrema direita diante do desgaste crescente da família Bolsonaro. Ao descartar Michelle Bolsonaro e admitir outros nomes para a composição de chapa, o dirigente sinaliza preocupação com a deterioração eleitoral provocada pelo caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, mas não aponta uma alternativa.
Foto reproduzida da Internet