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Vorcaro encomendou dossiês sobre André Esteves, apontam documentos

Está no Brasil 247

O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria encomendado dossiês sobre André Esteves que reuniam dados pessoais, financeiros e empresariais do chairman do BTG Pactual, em meio às disputas envolvendo a tentativa de venda da instituição financeira. Os levantamentos teriam sido produzidos pelo publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do portal Leo Dias, segundo documentos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo [1].

Miranda foi contratado para monitorar Esteves e produzir diferentes relatórios destinados a abastecer Vorcaro com informações sobre o concorrente. O publicitário foi alvo de uma operação da Polícia Federal na quinta-feira (9), sob suspeita de colaborar com ações para constranger adversários do controlador do Master e promover ataques contra autoridades públicas nas redes sociais. Sua defesa não se manifestou.

A investigação aponta que Thiago Miranda teria participado da obtenção irregular de informações sigilosas de jornalistas e empresários que mantinham conflitos ou disputas comerciais com Vorcaro. Entre os alvos também estaria Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco e presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Segundo a PF, Miranda repassava as demandas a um especialista em segurança digital de sua confiança. Esse profissional teria acessado sistemas restritos para obter dados que não estavam disponíveis em consultas públicas. A operação buscou identificar outras pessoas que poderiam ter auxiliado o publicitário no cumprimento das tarefas.

Relatórios continham informações de acesso restrito

Os levantamentos sobre André Esteves teriam sido encomendados ao longo de 2025 e resultaram em vários documentos. Um dos relatórios reunia dados pessoais e financeiros do banqueiro, além de informações usadas para a verificação de documentos pessoais, normalmente acessíveis apenas a órgãos de segurança.

Outro arquivo mapeava vínculos diretos e indiretos de Esteves com empresas. Nesse caso, a apuração teria sido baseada principalmente em fontes abertas e registros empresariais. Pessoas que acompanharam o trabalho afirmaram que o conteúdo foi encaminhado diretamente ao celular de Daniel Vorcaro.

André Esteves também não se manifestou sobre as revelações.

Vorcaro considerava Esteves um adversário

A produção dos dossiês ocorreu durante um período de tensão entre Vorcaro e Esteves. Os dois banqueiros tiveram embates durante as tratativas para a venda do Banco Master, que enfrentava dificuldades financeiras e buscava uma solução para recompor suas contas.

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro, divulgadas anteriormente, mostram que ele atribuía a Esteves uma tentativa de influenciar o Banco Central para impedir a negociação do Master com o Banco de Brasília (BRB).

Conversas entre Vorcaro e sua ex-namorada, a influenciadora Martha Graeff, indicam que o dono do Master enxergava o chairman do BTG como um adversário nos negócios. Em abril de 2025, Vorcaro relatou que Esteves havia feito uma proposta para comprar o banco e tentado convencê-lo a abandonar a negociação com o BRB.

“André disse que era o maior banqueiro do mundo. E ele era Deus que apareceu na nossa vida. Que tinhamos que agradecer a Deus a proposta dele. E esquecer o BRB”, escreveu Vorcaro à influenciadora.

O banqueiro classificou o encontro como “inusitado” e afirmou que estava acompanhado de Augusto Lima, seu antigo sócio e também investigado pela Polícia Federal. Segundo Vorcaro, a conversa com Esteves teria ocorrido por recomendação do Banco Central. “Fui la porque Banco Central pediu, porque ele é ardiloso”, afirmou.

Na sequência das mensagens, Vorcaro declarou que Esteves exercia influência entre dirigentes da autoridade monetária. “Entra na mente dos caras do Bacen. Mas turma nossa tá pegando pesado demais. Essa semana fui massacrado”, escreveu.

Venda ao BTG não avançou

A aquisição do Banco Master pelo BTG Pactual não foi concretizada. Ainda assim, Vorcaro vendeu ao banco comandado por Esteves cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos pessoais.

Posteriormente, o controlador do Master tentou reforçar a situação financeira da instituição por meio da venda de R$ 12,2 bilhões em ativos ao BRB. A transação passou a ser investigada pela Polícia Federal diante de suspeitas de possíveis crimes financeiros relacionados à operação.

As apurações envolvendo o Banco Master agora também buscam esclarecer a estrutura usada para produzir dossiês, obter informações restritas e monitorar jornalistas, executivos do mercado financeiro e outros personagens considerados adversários de Vorcaro.

Foto reproduzida da Internet

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