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Watergate tupiniquim

Guardada as devidas proporções, o desaparecimento do livro de atas do PSB de Natal (RN) no último dia 5, quando do registro de novos filiados ao partido e a reafirmação da candidatura do deputado Rogério Marinho à sucessão municipal, seguindo determinação contrária à governadora Wilma de Faria, presidente estadual da legenda no Rio Grande do Norte, mas parece o caso Watergate ocorrido nos Estados Unidos na década de 70 envolvendo o ex-presidente Richard Nixon.

No caso americano, Nixon renunciou ao cargo acusado de espionagem contra o Partido Democrata. Em 18 de junho de 1972, o jornal The Waschington Post noticiou na primeira página o assalto do dia anterior à sede do Comitê Nacional Democrata, no Complexo Watergate, na capital dos EUA. Cinco pessoas foram detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no escritório do Partido Democrata.

Bob Woodward e Carl Berntein, dois repórteres do jornal, começaram a investigar o então já chamado caso Watergate. Durante meses, os dois jornalistas estabeleceram ligações entre a Casa Branca e o assalto ao edifício Watergate. Eles foram informados por uma pessoa conhecida apenas por “garganta profunda” (deep throat) que revelou que o presidente sabia das operações ilegais. Nas investigações oficiais foram apreendidos fitas gravadas que demonstraram que o presidente Nixon tinha conhecimento das operações ilegais contra a oposição.

Watergate tupiniquim

No desaparecimento do livro de atas da reunião do PSB já se sabe que o documento está com o secretárrio-geral do diretório estadual do partido, Genildo Pereira, ligado a governadora Wilma de Faria. A novidade é que Pereira teria sofrido ameaças, por telefone, de que se não devolvesse o livro, os vereadores ligados politicamente ao pré-candidato Rogério Marinho, iriam para à imprensa detonar as reuniões ocorridas com os cargos comissionados do governo estadual, para pressioná-los a não acompanhar o projeto de Marinho de chegar à prefeitura de Natal.

O “garganta profunda” no caso do “Watergate Tupiniquim” é o vereador Salatiel de Souza (PSDB), que disse isso ontem a um grupo de jornalistas presentes à Câmara Municipal. Segundo Salatiel, foram gravadas algumas reuniões em que participaram secretários de estado no sentido de pressionarem os cargos comissionados à votarem na deputada Fátima Bezerra (PT), candidata a prefeita de Natal pela tríplice aliança – PT, PSB e PMDB.

De acordo ainda com o vereador, Genildo Pereira ficou de devolver o livro de atas onde constam as assinaturas dos quatro mil novos filiados ao PSB e a resolução reafirmando à candidatura de Rogério Marinho a prefeito de Natal, mesmo sem o apoio da governadora Wilma de Faria e do prefeito Carlos Eduardo Alves, que é presidente do diretório municipal da legenda. O caso pode ainda parar na Justiça, se a governadora e o prefeito decidirem fazer uma intervenção no diretório municipal do PSB.

Se comparado ao Watergate americano, o “Watergate tupiniquim” é semelhante no sentido de que a governadora Wilma de Faria, como o presidente Richard Nixon, sabia das operações ilegais, ou seja, Wilma sabia do fato de Genildo ter levado a ata, e das reuniões para pressionar os cargos comissionados a não acompanharem Rogério Marinho. A diferença aí é que no caso americano as operações ilegais foram contra outro partido, e no caso do PSB de Natal foram dentro da mesma agremiação partidária.

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