A crise aberta entre a governadora Wilma de Faria (PSB) e o PT, é real, não se pode mais esconder. Tanto do lado dos wilmistas, como do lado dos petistas, a troca de farpas pela imprensa é freqüente. Dá a imprenssão que resolveram lavar a roupa suja através da imprensa. Pra todo mundo ver.
Três coisas, no entanto, ainda segura essa aliança: a dependência de Wilma dos recursos federais para poder “deslanchar” a sua Agenda do Crescimento, o apego dos petistas pelas giroflexes conquistadas no segundo governo socialista [Secretaria de Saúde e Fundação José Augusto] e, a esperança, ainda que remota, do apoio da governadora à candidatura da deputada Fátima Bezerra para a prefeitura de Natal nas eleições 2008.
Fora essas três coisas, a aliança política-administrativa que nunca teve muita sustentação entre Wilma e o PT, começa a ruir. As últimas declarações de “amor e de amizade” entre wilmistas e petistas retratam bem a crise nesse casamento.
A governadora Wilma, que nunca deu muita importância ao PT local, deve andar também meio de orelha em pé com relação ao presidente Lula – que teve um papel importante na sua reeleição -, mas que parece que no que diz respeito a parceria administrativa a coisa não anda lá muito bem. Só pra relembrar: perdemos a refinaria de petróleo para PE, estado natal do presidente; a Planta de PVC, que seria para compensar essa perda, até agora só se houve blá-blá-blá; e o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, só Deus sabe. Enfim, recursos só o do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], que chegam a pouco mais de R$ 600 milhões, assim mesmo para investimentos apenas em saneamento básico e habitação.
Ao contrário do governo, a prefeitura de Natal, que tem um prefeito do PSB da governadora – Carlos Eduardo -, e que já desmonstrou interesse em apoiar a candidatuta de Fátima à sua sucessão, esse sim, tem recebido recursos federais. E é importante ressaltar que a deputada Fátima Bezerra tem sido peça chave para a liberação das verbas necessárias para dar andamento as obras da prefeitura, percorrendo ministérios de mãos dadas com o prefeito.
Tudo isso somado, é provável que deixe a governadora Wilma um pouco, digamos, desconfiada, e queira agora discutir a aliança com o PT. Sintetizando, a crise entre Wilma e o PT é como um casal que precisa repensar o relacionamento já tão desgastado.