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O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) avaliou que a reeleição do presidente Lula (PT) não pode ser creditada unicamente ao PT. Após não conseguir se eleger para a Câmara dos Deputados por São Paulo no pleito de 2026, o dirigente político defende que o quarto mandato presidencial contemple uma base de apoio mais ampla e diversificada, englobando diferentes correntes políticas e movimentos sociais para corresponder ao sinal enviado pelas urnas, disse ao jornal O Globo [1].
Diante do cenário político nacional, Dirceu prega uma reformulação profunda na sigla para que o campo progressista consiga construir uma organização duradoura e dialogar com novos segmentos da população.
“A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT”, declarou Dirceu, ao frisar a importância da união com legendas como PSOL, Rede, PDT e PSB.
Na visão do ex-ministro, a consolidação de uma nova liderança para a esquerda não surgirá por indicação direta, mas sim do desempenho prático nos desafios públicos.
“Terão de provar isso governando ou liderando. Alguém vai se destacar. O (Fernando) Haddad se destacou como ministro da Fazenda e da Educação e ganhou espaço”, apontou Dirceu ao abordar a futura sucessão presidencial.
Em tom pragmático, Dirceu ressaltou que a aproximação com os eleitores evangélicos e com os jovens que votaram no candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, deve ser feita sem hostilidade.
“Nós não devemos estigmatizar, atacá-la como se fosse um pecado votar na direita. Temos que dialogar”, afirmou.
Para sustentar a governabilidade, Dirceu sugere a convocação de forças partidárias, empresariais e trabalhistas em torno de grandes reformas — tributária, financeira, política e do Judiciário —, mantendo a proteção aos direitos sociais já garantidos.
“Não nos peçam para fazer aquilo que o eleitorado não aprovou. Uma das razões da mobilização foi o medo de perder a vinculação do salário mínimo, a aposentadoria, a saúde, a educação”, destacou.
A respeito do resultado pessoal no pleito, em que teve o ritmo de campanha afetado por conta de um tratamento de saúde contra um linfoma entre maio e setembro, o ex-ministro confirmou que não tentará novamente retornar a cargos eletivos.
“Já virei essa página. Não serei mais candidato”, concluiu.
Foto reproduzida da Internet