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Lula será lançado candidato esta noite em Contagem (MG)

 Está na Agência Reuters

O principal personagem não estará presente de carne e osso, mas o PT aposta na magia que ainda envolve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mobilizar a militância no lançamento da pré-candidatura dele, nesta sexta-feira (8), em Contagem (MG), na tentativa de demonstrar unidade sobre a ideia de Lula candidato.

O tom do evento é emocional, uma convenção do partido sem o candidato, mas com o espírito de Lula. O carismático ex-presidente, preso há dois meses em Curitiba, falará aos militantes por meio de uma carta, que está sendo chamada de “Manifesto ao Povo Brasileiro”.

No texto, que vem preparando há alguns dias, Lula dirá que quer voltar a ser presidente para “acabar com o sofrimento do povo brasileiro”, contou à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto. Esse será o mote da campanha lulista, que tem como slogan “O Brasil Feliz de Novo”.

“Na carta ele diz porque quer ser presidente de novo, para acabar com o sofrimento do povo brasileiro, vai falar dos processos, dirá que é um preso político”, disse a fonte.

Essa não é a primeira vez que a candidatura de Lula é lançada pelo PT. Duas reuniões da executiva do partido e duas do diretório nacional já apresentaram o ex-presidente como o candidato, quando Lula ainda estava em liberdade.

O PT tentou autorização para gravar um vídeo com o ex-presidente para o evento desta sexta, mas a resposta da Justiça não chegou a tempo. As palavras de Lula serão ouvidas em outra voz —ainda não se sabe de quem— mas o ex-presidente estará presente no vídeo de seu primeiro jingle de campanha.

No tom emocional que o PT bem sabe fazer, o vídeo —já apresentado na quinta-feira nas redes sociais do partido— começa com um tom de tristeza, com a música cantando “Meu querido Brasil o que fizeram com você, estou sofrendo tanto por te ver assim”.

Em seguida, com imagens de Lula em encontros com o povo, coloca junto da ideia da eleição a campanha pela libertação do ex-presidente, e encerra com a foto de Lula sendo carregado pela multidão no dia em que foi preso, em São Bernardo do Campo (SP).

“Olha lá, uma ideia ninguém pode aprisionar, um sonho cada vez mais livre, acesa a esperança vive, olha Lula lá”, diz a música, que continua com “Chama que o povo quer, chama que o homem dá jeito, chama que eu volto. É Lula nos braços do povo. É o Brasil Feliz de novo”.

“É cênico, emocional, é como uma convenção. O sentido é afirmar que a candidatura Lula é concreta, não é só uma estratégia”, disse a fonte.

Sem plano B
Em meio às cada vez mais frequentes especulações de que o partido poderia apresentar um plano B e desistir da candidatura de Lula, o lançamento nacional —em vez de atos regionais menores, como se pensou inicialmente— é uma forma de mostrar que o partido continua firme no propósito de registrar Lula como candidato.

“Não há nenhuma divergência quanto a isso, não há intenção de fazer qualquer mudança na candidatura do partido”, disse à Reuters o deputado Carlos Zarattini, um dos membros do diretório nacional do PT.

O lançamento deve reunir todas as bancadas federais, dirigentes estaduais, todo o diretório nacional e os cinco governadores do partido, os mesmos que, há algumas semanas, começaram a levantar dúvidas sobre a estratégia de manter a candidatura de Lula até provavelmente ser impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral, na metade de agosto.

Preocupados com os palanques estaduais, as dificuldades em formar alianças em cima de uma candidatura praticamente descartada e com suas próprias candidaturas nos Estados, os governadores chegaram a defender que o PT antecipasse a adoção de um plano B, contou à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto, mas foram rechaçados pela direção do partido.

“Não há espaço para isso hoje no PT e o próprio Lula está convicto da sua candidatura”, disse uma segunda fonte, que também pediu para não ser identificada.

A primeira fonte ouvida pela Reuters confirmou que, mesmo com algumas poucas vozes que questionam a validade da decisão de levar a candidatura Lula até onde for possível, a unidade do partido é imensa.

“Não há uma tendência que diga o contrário. O que o partido teria a ganhar desistindo de Lula agora, que está em primeiro lugar nas pesquisas, e lá na frente, se for o caso, pode passar esses votos para um indicado por ele?”, questionou.

“O lançamento é uma reafirmação da unidade do PT, de que esta é uma decisão unitária do partido, e uma demonstração de solidariedade”, afirmou.

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Tacla Duran denuncia ‘mordaça’ da Lava Jato e diz que `convivemos com dois Moros´

Está na Rede Brasil atual

O advogado Rodrigo Tacla Duran, que atuou como consultor da Odebrecht, voltou a afirmar que os sistemas eletrônicos Drousys e MyWebDay, utilizado pela construtora para gerenciar o pagamento de propinas, teriam sido adulterados de modo a produzir provas para incriminar figuras que estariam no alvo de procuradores da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba.

Em audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, realizada nesta terça-feira (5), Tacla Duran também destacou as negativas da Lava Jato em ouvi-lo sobre esses indícios de fraude na produção de provas. Segundo ele, antes de servirem como provas em diversas condenações, as planilhas da Odebrecht deveria ter sido periciadas pela Justiça, que poderia comprovar assim as ditas manipulações.

Tacla Duran, que foi arrolado como testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas teve por cinco vezes o seu depoimento negado pelo juiz Sérgio Moro. Ele denunciou o “cerceamento” do direito de defesa no âmbito da Lava Jato: “Amordaçar testemunhas é sinal claro de que não está se fazendo Justiça”.

A recusa de Moro e da força-tarefa de Curitiba em ouvir as explicações de Tacla Duran, se deve, segundo o advogado, ao fato de ele não ter assinado acordo de delação premiada com a Lava Jato, que teria condições “melhoradas” após negociação realizada pelo advogado Carlos Zucolotto, ex-sócio da esposa do magistrado, Rosângela Wolff Moro, e padrinho de casamento do casal.

“Zucollotto me propôs que lhe desse 5 milhões de dólares em troca de sua proteção na Lava Jato”, afirmou Tacla Duran, que comentou ter conhecimento sobre outros advogados que também “venderam proteção” contra acusados, o que configuraria um modus operandi da força-tarefa.

Perguntado pelo deputado Wadih Damous (PT-RJ) se as manipulações nas planilhas extraídas dos sistemas eletrônicos teriam sido adulteradas em outros inquéritos, Tacla Duran afirmou tem conhecimento de outras manipulações similares que são tidos como “extratos bancários”.

“Hoje quem questiona o modus operandi da República de Curitiba é considerado inimigo da Lava Jato. Será que teremos que ser coniventes com o atropelo das leis?”, questionou o advogado, ouvido como testemunha em outros sete países para dar explicações sobre o sistema de pagamentos de propina da Odebrecht.

Tacla Duran confirmou que tinha acesso ao sistema Drousys, que servia para fazer a comunicação interna entre os envolvidos nos esquemas da Odebrecht. Ele contou que recebeu e-mails da direção da construtora alertando para que as informações necessárias fossem copiadas e depois destruídas, pois receavam que os sistemas poderiam ser apreendidos pela Justiça. “O sistema foi adulterado diversas vezes, foi montado para caso viesse a ser apreendido. Minha surpresa são as alterações posteriores ao bloqueio.”

De acordo com Tacla Duran, Zucolotto atuaria junto à força-tarefa com o intuito de reduzir penas e muitas que recairiam sobre ele, em troca do pagamento de US$ 5 milhões “por fora”. Ele classificou a prática como “extorsão” e que, desde tal oferta, recusou o acordo, e então passou a ser perseguido por Moro e os procuradores de Curitiba. “Desde 2016, quando decidi procurar espontaneamente a Lava Jato, sou tratado como criminoso, alvo de ofensas. Mas, em momento algum, apresentaram qualquer prova contra mim?”

Após o caso vir à tona, em agosto de 2017, Tacla Duran detalhou a sua versão em outro depoimento prestado em dezembro do mesmo ano, em sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS. No mesmo mês, foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) sob acusação de lavar dinheiro de propina da Odebrechet. “Essa é a segunda vez que sou chamado no Congresso Nacional. Nunca tive oportunidade de fazer isso perante a Lava Jato. Nunca quiseram me ouvir sobre as acusações que fazem contra mim.”

Moro afirma que Tacla Duran, que tem dupla cidadania e vive na Espanha, é foragido da Justiça. O advogado contestou, afirmando que os procuradores é que não estiveram presentes em audiência marcada em colaboração com a Justiça espanhola, também em dezembro passado. “Os procuradores que solicitaram para vir, não vieram. A minha colaboração com Peru, Equador e Andorra, por exemplo, se mostrou extremamente eficaz. Resultou em diversas prisões e até em renúncias de presidentes.”

Há seis meses, os deputados Paulo Pimenta, Wadih Damous e Paulo Teixeira (PT-SP) cobraram da Procuradoria-Geral da República (PGR) que investigue as acusações de Tacla Duran. A PGR decidiu arquivar a representação dos parlamentares, alegando que os documentos que o advogado aponta como falsos são “verídicos”. Os deputados prometem recorrer da decisão, e insistem que Tacla Duran deve ser ouvido.

Questionado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) se as adulterações nos sistemas da Odebrecht serviriam também para encobrir práticas ilícitas dos próprios executivos, Tacla Duran foi categórico. “Sem dúvida. Por isso que estou sendo acusado, no lugar deles.”

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Senadora Gleysi Hoffmann questiona senador Tasso Jereissati: `foi pra isso que tiraram Dilma e prenderam Lula?´