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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Artigo

Um nome pra Salgado Filho

por Francisco Francerli

Repercute a informação de que o prefeito Carlos Eduardo pretende mudar o nome da avenida Senador Salgado Filho para homenagear seu pai, jornalista e ex-prefeito de Natal e Parnamirim, Agnelo Alves. Nas redes sociais, algumas pessoas têm demonstrado indignação com essa possível mudança pelo fato de ser membro da oligarquia Alves. Ora, para efetivar sua proposta o prefeito terá que encaminhar projeto à Câmara Municipal, tendo em vista que se trata de uma das mais importantes avenidas da cidade.

Não acredito que o prefeito vai querer contemplar o nome do pai, mas se não for o de um Alves poderá ser o de um Maia, ou de um Faria, um Rosado, um Motta, um Costa, enfim alguém oriundo de uma oligarquia porque é assim que funciona a história política do Rio Grande do Norte como também de todo o Nordeste. Até hoje, todo mundo que se elege prefeito ou mesmo vereador quer logo formar seu próprio nicho oligárquico, elegendo a mulher, o filho, o genro e por aí vai…

É bom lembrar que boa parte de nossa cidade foi planejada. As grandes avenidas dos bairros de Petrópolis e Tirol homenageiam os ex-presidentes da República: Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena e Hermes da Fonseca; paralelas a elas vêm as ruas homenageando os rios do RN (Seridó, Potengi, Trairi, Mipibu, Assu, Jundiaí, Apodi, Maxaranguape e Ceará-Mirim). Da mesma forma, as principais ruas do bairro do Alecrim também seguem um planejamento urbano na nomenclatura, homenageando ex-presidentes e tribos de índios.

Mas, independente de quem seja o contemplado para substituir o Senador Salgado Filho, a mudança de um nome que nuca, talvez, tenha pisado no solo potiguar, pode se constituir numa excelente oportunidade não apenas de homenagear personalidades esquecidas, bem como valorizar as coisas e hábitos próprios de nossa terra. Apesar de uma mudança de nome de rua não implicar na mudança de vida de ninguém, é importante uma revisão na nomenclatura das ruas e logradouros que nada têm a ver com a história, cultura ou a realidade da cidade. Há ruas em Natal simplesmente com nomes de data, como 1º de Janeiro (Quintas) e 02 de novembro (Petrópolis). Há absurdos até de um mesmo nome servir a mais de uma rua, como é o caso do Capitão Mor Gouveia que é nome da via que liga a zona Oeste à zona sul da cidade é nome também de uma rua na Praia do Meio.

Quando o projeto for enviado à Câmara Municipal, os vereadores devem abrir o debate com audiências públicas para ouvir sugestões que podem ser na área das artes, cultura, da educação, esportes, enfim, nomes que tenham contribuído para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Quem sabe aí, além dos políticos como Agnelo Alves que reconheço teve uma grande obra em Natal e Parnamirim, podemos lembrar de outros nomes significativos que pouco ou nunca foram homenageados.

Nomes como o de  Luiz Maranhão (ex-professor do Atheneu, jornalista do Diário de Natal e ex-deputado estadual morto pela ditadura militar), Djalma Maranhão, o primeiro prefeito eleito da cidade que implantou o Projeto De Pé no Chão Também se Aprende a Ler, reconhecido pela Unesco (apenas o Palácio dos Esportes e uma pracinha abandonada tem seu nome), Chico Santeiro (escultor e artista popular, descoberto por Djalma Maranhão na década de 60), o cantor Elino Julião que tem grande importância para a música local e Cornélio Campina (criador do grupo folclórico Araruna).

*Francisco Francerli é jornalista

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One Response to Um nome pra Salgado Filho

  1. Marcelo Matias disse:

    Concordo. Não vejo porque tanta celeuma por mudar o nome de uma avenida que não tem nada a ver com realidade de Natal por um de uma personalidade local. Depois acostuma rápido, como Parnamirim e Machadão que antes eram Eduardo Gomes e Castelão. Ah, se quiserem botar o nome do meu avô eu aceito.Foi um agricultor lá do Agreste.

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