E-book

Baú de um Repórter

O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.

Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Artigo

O avanço do Aedes aegypti

Editorial de O Globo

A anormal explosão, no espaço de menos de um ano, do número de casos de microcefalia no Nordeste (399 em toda a região, 268 ocorrências confirmadas somente em Pernambuco) e o recorde de mortes de vítimas de dengue entre janeiro e agosto (693 em todo o país), todos dados do Ministério da Saúde, não só indicam que o Aedes aegypti tem encontrado condições apropriadas para se reproduzir, como evidenciam que o mosquito ampliou consideravelmente seu leque de vítimas no Brasil.

Em si, a proliferação do vetor, com algumas alterações no mapa nacional de distribuição do inseto, é um fenômeno preocupante; a perspectiva de que teremos nos próximos meses um ciclo de calor mais intenso do que em outros anos agrava a situação. A sensação é que, não pela primeira vez, a saúde pública brasileira terá um grande desafio pela frente: evitar que o Aedes seja, mais uma vez, protagonista de novos ciclos de colapso sanitário.

A microcefalia é um tipo de malformação que se origina na gestação, responsável por reduzir o crânio do bebê e que leva a sequelas neurológicas, deficiências motoras e dificuldade respiratória. É um mal sem cura. Embora sejam variadas as possíveis causas da doença, consolida-se a hipótese de que o surto no Nordeste seja decorrente de uma epidemia de zika e chicungunha, infecções congênitas espalhadas pelo Aedes aegypti, que assolou a região no início do ano. Além de Pernambuco, o estado onde a situação é mais crítica, também há registros de casos de microcefalia fora dos padrões normais em Sergipe (44 ocorrências), Rio Grande do Norte (39), Paraíba (21), Piauí (10), Ceará (9) e Bahia (8). O diagnóstico do ministério é de que se trata de uma epidemia.

A outra ponta da proliferação do mosquito faz estragos por meio da dengue. O recorde de 693 mortes este ano bate o pico anterior de 674 óbitos, em 2013. São dados levantados até o fim de agosto, indicação segura de que os números serão piores até o fim do ano. Os indicadores de 2015 são 70% maiores que os registrados em 2014. Ao todo, o país contabilizou nos oito primeiros meses um total de 1,4 milhão de infectados, quase a metade (667,5 mil) somente em São Paulo. O estado responde por um triste recorde: em torno de 58% (ou 403 registros) das mortes por dengue registradas este ano ocorreram em municípios paulistas. Em seguida aparecem Goiás (67), Ceará (50), Minas (47) e Paraná (24).

No Rio de Janeiro, que já passou por duas grandes epidemias de dengue, morreram 19 pessoas entre janeiro e outubro, segundo a Secretaria estadual de Saúde. Não chega a ser ainda uma situação crítica, em comparação com os indicadores dos surtos anteriores, mas é preciso considerar que o número de notificações da doença é nove vezes maior do que o de todo o ano de 2014. Uma curva perigosa, levando-se em conta, à parte as medidas de prevenção adotadas pelo poder público, que os meses de calor mais intenso, propício à reprodução do mosquito, ainda não começaram.

No front das políticas públicas, há um antecedente que põe em xeque a eficiência dos organismos sanitários para lidar com o problema. O mosquito, combatido por Oswaldo Cruz no início do século passado, foi dado como erradicado no país da década de 1950. Meio século depois, no entanto, o inseto não só reapareceu, como espalhou-se como vetor de variadas doenças, ante a inépcia da burocracia dos serviços de saúde pública. Joga-se muito dinheiro fora em ações tópicas.

Depois de mais de uma década do reaparecimento do Aedes ainda não se tem uma estratégia de combate nacional, coordenada e unificada. A sociedade, por sua vez, tem sua parte no contencioso dessa rede de leniência, ao neglicenciar ações para inibir a reprodução do mosquito.

A realidade é que, em síntese, a população está cada dia mais vulnerável.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *