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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial

`Um dia meu filho vai estudar isso e vovô contará a história verdadeira do impeachment´

A frase acima foi proferida pela minha filha que está grávida e que ganhará seu primeiro filho agora em setembro. Ela disse isso após saber o resultado da votação do impeachment da presidenta Dilma Ruosseff para continuar no cargo.

E é verdade. O meu neto saberá daqui a alguns anos a verdadeira história do golpe que tirou de forma antidemocrática a petista da Presidência da República. Um golpe não feito de armas, como o golpe militar de 1964, mas de tramas, acordos espúrios e vingança, sobretudo do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, do PMDB de Michel Temer.

O ex-ministro José Eduardo Cardozo em seu pronunciamento de defesa foi taxativo: “ela [Dilma] foi acusada porque ousou ganhar uma eleição afrontando interesses daqueles que queriam mudar os rumos do país. Ela foi condenada porque ela ousou não impedir que investigações contra corrupção no Brasil não tivessem continuidade”.

Já falei sobre isso em uma outra oportunidade, mas repito que o atual processo de impeachment expôs fraquezas no sistema político do país, em que o presidente depende de acordos com inúmeros partidos sem ideologia clara, em arranjos que incentivam a corrupção.

Certa vez o amigo Jean Paul-Prates disse em artigo, que à exceção de uns poucos a quem se concede um naco da ribalta para compor a cena democrática e popular, aqueles que realmente decidem são meros prepostos de grupos de interesse cada vez mais interligados.

Se colocam nesta situação Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, todos do PMDB. Não quero nem me aprofundar, porque se o fosse certamente citaria também aqui os 61 senadores que fizeram parte do “Circo dos Horrores” nesta quarta-feira, 31 de agosto, no Senado Federal.

Mas a história falará mais alto. Lembro que quando criança aprendi nos bancos escolares que em 1964 o Brasil foi tomado por uma “Revolução”. Anos depois, já na adolescência soube da verdadeira versão. Ou seja, o que houve no Brasil foi um golpe militar.

Daqui a alguns anos, mesmo que os livros venham a “desmentir” o golpe, eu, como avô do meu futuro neto terei certamente a oportunidade de dizer a ele a verdade sobre a farsa que se montou num país chamado Brasil. Meu neto não ficará alheio aos acontecimentos políticos vivenciados por seu avô.

A conferir!

 

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3 Responses to `Um dia meu filho vai estudar isso e vovô contará a história verdadeira do impeachment´

  1. alob disse:

    isso ai, vá doutrinando… p não ter perigo dele querer ser um coxinha

  2. Eufrásia Ribeiro disse:

    Um dia como de hoje é para ser lembrado, para não repetirmos isso no futuro. Um ato que trará consequências bem ruins, para o seu neto, às futuras gerações e para todos os brasileiros que foram contra e que participaram (direta e indiretamente) da construção desse golpe. Por causa de uns, todos pagam. Sigamos com a esperança, esta que segundo Santo Agostinho tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.

  3. Robson Lopes disse:

    como diria o poeta Gonzaguinha “é tão bonito quando agente pisa firme nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos..”
    é tão bom quando agente sabe que está no caminho certo, em nossas atitudes, em nosso pensamentos, quando existe coerência, quando não existe ódio no coração….ou preconceito na alma.

    isso posto, quero aqui corroborar com sua coluna, esse golpe de estado foi um retrocesso grande para nosso país, para quem ainda não caiu a ficha….será uma questão de tempo.

    lembro-me novamente do genial e socialista gonzaguinha, quando, no auge da ditadura, após várias canções vetadas pela censura, em uma delas ele diz: “são historias que um dia a história contará…”

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