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Baú de um Repórter

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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Geral

Destaque das revistas

CartaCapital

Os reis da xepa

A decadência mundial dos meios de comunicação acelera um processo ruim à democracia: a concentração da propriedade nas mãos de poucos magnatas

No mundo dos negócios, um claro sinal da decadência de um setor é a rapidez com que a propriedade e o centro do poder mudam de mãos. Repare no que aconteceu à indústria automobilística: as gigantes norte-americanas definharam ou foram vendidas, enquanto o eixo do lucro migrou para as companhias da Ásia. E veja o que tem ocorrido na mídia. Nos Estados Unidos e na Europa assiste-se a uma acelerada concentração do controle e uma mudança geográfica no perfil dos maiores acionistas. Despontam russos, árabes, australianos e latino-americanos, alguns deles com inequívoca vocação para cidadãos Kane, o inescrupuloso proprietário de jornais, maravilhosamente retratado por Orson Welles no clássico filme que leva o nome do personagem.

Chega a ser um paradoxo. Em várias partes do planeta, inclusive no Brasil, há um frenesi dos donos de meio de comunicação com o que consideram ser um movimento orquestrado para inibir suas liberdades. Em geral, os senhores apontam seus indicadores em direção a governos ou associações civis interessadas em estabelecer discussões mínimas sobre os direitos dos cidadãos diante do poder desigual da mídia. Ironicamente, a maior ameaça às famílias tradicionais e à própria natureza do empreendimento – sem falar nos riscos reais à democracia – vem justamente da ascensão de um novo tipo de empresário do setor, incapaz de separar seus interesses particulares do caráter público da imprensa (parênteses: não se trata aqui do caso brasileiro, onde nunca houve essa separação).

O exemplo mais recente a ameaçar os velhos princípios da imprensa foi a compra, em março último, do inglês The Independent, um dos mais consistentes jornais do mundo, pelo bilionário russo Alexander Lebedev. Ex-agente da KGB, Lebedev também controla o vespertino londrino The Evening Standard.

Veja

Rio…do descaso, da demagogia, do populismo e das vítimas de suas águas

A tempestade que se abateu sobre o Rio de Janeiro na madrugada da última terça-feira, com fúria e persistência recordes, escancarou a gravidade de um problema há décadas negligenciado: o incentivo oficial para a ocupação de encostas. Não fosse o risco de vida embutido, a “indústria da favelização” poderia até ser vista como um programa social. Não é. Os falsos beneméritos dão ajuda material a famílias inteiras para que se instalem em áreas de alto risco em troca do voto delas nas eleições. Quando ocorrem tragédias como a da semana passada, eles fingem que o problema não é com eles. O último levantamento oficial mostra que em 119 favelas, de sete municípios do estado, ocorreram 197 das 219 mortes registradas até agora. Ao testemunhar o desabamento de dezenas de casebres e a morte de vizinhos no Morro dos Prazeres, na Zona Sul da cidade e um dos mais atingidos pelas chuvas, José Ferreira, 60 anos, resumiu: “Parecia um tobogã”. O padrão se repetiu em diversos pontos. Um após o outro, os morros foram lavados pela força das águas da chuva, perdendo sua fina cobertura de terra onde foram plantados os barracos irregulares não apenas com a complacência das autoridades mas com sua ajuda. Diz o sociólogo Bolívar Lamounier: “O fenômeno da favelização no Rio é consequência do relaxamento moral e jurídico”.

Isto É

Michel Temer um vice bem resolvido

As cartas da campanha à Presidência da República estão lançadas. Com a desincompatibilização da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) e do ex-governador José Serra (PSDB), só falta aos pré-candidatos escolher seus vices. Nessa tarefa, os aliados do governo estão numa posição mais avançada e bem mais confortável do que os adversários. Já têm um nome de consenso para a vice-presidência: o do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que executou a façanha de unificar um partido historicamente dividido. Ainda que sua candidatura não tenha sido anunciada oficialmente, as dúvidas sobre a presença de Temer na chapa governista ao lado de Dilma se dissiparam com a permanência de Henrique Meirelles no Banco Central. Ao receber ISTOÉ em seu gabinete na noite da quarta-feira 7, Temer admitiu seus planos, mas com a cautela que lhe é peculiar. “Aparentemente está definido, mas definido não está”, afirmou Temer, ressalvando que qualquer posição ainda depende de conversas com o PT e a ex-ministra. Por precaução, ele ainda prefere dizer que será candidato à reeleição para a Câmara. “Quando viajo ao interior de São Paulo digo que sou candidato a deputado federal para garantir meu espaço”, comenta. Apesar da cautela, Temer sabe que a formalização da chapa é uma questão de semanas e dá a indicação sobre a possível data do anúncio. “O PMDB vai realizar um grande Congresso em Brasília em 15 de maio para apresentar sua contribuição ao programa político do PT. Vamos fundir os programas e construir nossa coalizão eleitoral”, antecipa. A escolha do nome de Temer põe fim a uma queda de braço com o PT e o presidente Lula que já durava meses.

Época

José Serra: “Estou mais preparado”

José Serra começa sua nona campanha eleitoral – a segunda em que disputa a Presidência da República – com a confiança em alta. O embate contra a ex-ministra Dilma Rousseff, a candidata do PT, escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, promete ser dificílimo. Mas Serra exibia, dois dias antes de ser aclamado como o candidato do PSDB, a segurança dos políticos calejados. “Aprendi com a derrota. Aprendi com a reflexão. Aprendi com a prefeitura. Aprendi com o governo de São Paulo. Eu me considerava preparado em 2002. Mas hoje estou mais preparado”, disse Serra, na entrevista que concedeu a ÉPOCA, na última quinta-feira.

Essa confiança é alimentada pelas pesquisas eleitorais. Elas apontam uma preferência sólida de 35% do eleitorado, praticamente inalterada desde o ano passado.Alimenta-se também da longa trajetória de quem começou como líder estudantil e chegou a governador de São Paulo – último de seus cargos – e já enfrentou todo tipo de situação numa carreira de quase 50 anos. “Eu me considero preparado para esse desafio. É algo para o qual eu talvez tenha me preparado a vida inteira. Mas você se candidatar e chegar à Presidência, além de uma decisão pessoal, envolve muito destino.” Na entrevista, além de dizer o que espera da campanha – um debate sobre o futuro do Brasil –, Serra revelou suas ideias sobre temas tão variados como o papel do Estado, educação, saúde, autonomia do Banco Central, política econômica, aborto e descriminalização da maconha.

Época – O que o credencia para presidir o Brasil? Por que um brasileiro deve votar no senhor?
José Serra – Eu me considero preparado para esse desafio. É algo para o qual eu talvez tenha me preparado a vida inteira. Mas esse não é um julgamento meu. É um julgamento feito pelos partidos e pelas pessoas. Passa por outras instâncias, no nível político e no nível da sociedade. Você se candidatar e chegar à Presidência, além de uma decisão pessoal, envolve muito destino.

Época – O senhor acha que o destino o encaminhou para a Presidência?

Serra – Pelo menos para ser candidato, sim. Agora, a eleição é o momento da surpresa, sempre.

Época– O senhor está entrando agora em sua segunda campanha presidencial.

Serra – Minha nona eleição.

Época – O que mudou em relação à última campanha presidencial, em 2002?

Serra – Aprendi bastante desde lá. Aprendi com a derrota. Aprendi com a reflexão. Aprendi com a prefeitura, aprendi com o governo de São Paulo. Para mim, a vida é um constante processo de aprendizado. Eu me considerava preparado em 2002. Mas hoje eu estou mais preparado que em 2002.

Época – O senhor foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), deputado constituinte, senador, ministro, prefeito, governador. Essa longa trajetória o preparou para essa candidatura?

Serra – Eu já disse mais de uma vez que carrego comigo tudo aquilo que eu fui. Eu trago as pessoas de minha época em meu imaginário. Eu não tenho nenhum mal-entendido com meu passado. Eu carrego comigo a infância, numa vila operária, meu pai trabalhando todos os dias do ano, exceto no dia 1º de janeiro. Era uma vida modesta. Era filho único, o que me permitiu estudar. Depois, vivi a minha vida universitária e a política estudantil com muita intensidade, pois era um momento agitado da vida brasileira. Na época da UNE, tive uma convivência estreita com a grande política do país e conheci todo o Brasil. Depois, foram 14 anos afastados do Brasil, 13 no exílio. Do exílio, via o Brasil como um todo. Tive minha formação acadêmica, minha vida de professor e pesquisador. Diga-se de passagem, eu vivi dois exílios: o do Brasil e o do Chile, porque lá eu fui preso e acabei sendo exilado ao quadrado. Eu voltei para o Brasil ainda a tempo de participar da batalha da redemocratização. E aí tem essa trajetória que você aponta: secretário, deputado constituinte, coordenador do programa de governo do Tancredo. Então eu acho que colhi ao longo da vida muita experiência política administrativa e, ao mesmo tempo, muita vivência daquilo que é o Brasil.
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