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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial, Geral

Crônica

Eugenio meioquiloEntrando na chuva

Por Leonardo Sodré

Diferentemente do ator e dançarino Gene Kelly, que protagonizou um dos mais belos momentos do filme “Singin’in the Rain” (Cantando na chuva), de 1952, quando dança, embevecido de amor, debaixo de chuva, o publicitário Eugênio Soares, o famoso “Meio Quilo”, não gosta nem um pouco de ser atingido por ela, apesar de – na qualidade de sertanejo do Seridó – ansiar todos os anos por inverno generoso.

Nesta quarta-feira, Natal amanheceu diferente, debaixo de uma chuva grossa, como há muito tempo não se via, principalmente no Tirol. Logo cedo, quando cheguei à agência para trabalhar vi Meio Quilo se preparando para sair de casa visivelmente aborrecido. Afinal, naquela região da Afonso Pena, não é apenas o deplorável “Trânsito Livre” imposto pela Prefeitura de Natal, que inferniza. Quando chove, a calçada fica cheia de água. Água, alias, que estava na metade dos pneus do carro do publicitário.

De longe fiquei assistindo a marmota. Sai Meio Quilo com uma bacia azul na cabeça para não molhar seus longos cabelos. De longe eu sabia que era ele por causa do seu enorme nariz, que lembra a vela principal de um saveiro, acompanhado por Nilda, sua secretária, que segurava um guarda-chuva que ele comprou na antiga Casa Rio, na década de 1960, quando a loja funcionava na avenida Rio Branco, esquina com a rua Coronel Cascudo.

– Nilda! Gritava Eugênio, com as canelas finíssimas enviadas dentro da água, em direção ao carro.

– Segure o guarda-chuva do Oeste para o Leste porque está respingando água em mim e eu não posso sair molhado! Exigiu.

Nilda, que já estava encharcada devido aos inúmeros buracos do velho guarda-chuva, gritou enfezada:

– Então me diga primeiro para que lado fica o Leste.

Então, Eugênio apontou o nariz em direção a praia e disse, enquanto milhares de pingos batiam nele e gritou:

– Para o lado da Praça das Flores, infeliz! Você não sabe que o Leste é em direção ao mar?

– Sei não “seu” Eugênio – disse entristecida -, eu só sei que o Oeste está deixando minha bunda toda molhada…

* Leonardo Sodré é jornalista e vez ou outra colabora com o Blog

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