O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.
Arquivos
Links Rápidos
Categorias
E-book
O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.
Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Valor Investe
Há exatamente um ano, acontecia o segundo turno da eleição presidencial no Brasil. Com a vitória de Lula, os investidores tentavam antecipar o que aconteceria com o país e, claro, com a bolsa dali em diante. Ao longo da eleição, analistas apostavam que ações de setores como construção e educação poderiam prosperar no governo do petista, assim como papéis de varejistas e bancos que atendem a um público de renda mais baixa. Esses papéis ficaram conhecidos como “Carteira Lula”. Ao mesmo tempo, as estatais passavam longe das indicações para caso o petista vencesse. Quase um ano depois, pode-se dizer que a “Carteira Lula” montada por analistas em outubro do ano passado prosperou. Mas outras previsões não se cumpriram.
Uma das coisas que permitiu que os analistas fizessem apostas mais acertadas é o fato de que tanto Bolsonaro quanto Lula já foram presidentes antes de disputarem a última eleição. Portanto, os analistas sabiam “o que esperar” de cada um. Mas isso não impossibilitou que algumas surpresas acontecessem no meio do caminho. A começar por algumas estatais. Durante as eleições, os analistas recomendavam cautela com esses papéis caso Lula fosse eleito. A realidade, no entanto, é que algumas das principais empresas governamentais da bolsa estão muito bem, obrigado.
“Tínhamos nessa eleição, dois candidatos que já haviam sido presidentes. Então isso ajudou. Com Lula, sabíamos que educação, construção civil poderia ir bem, devido aos programas que o PT já havia feito. E havia uma preocupação, principalmente com as estatais”, afirma Marcelo Nantes, Gestor de Renda Variável da ASA Investments. Porém, essa preocupação não se concretizou. Segundo o especialista, havia um “medo enorme de intereferência do governo nas estatais” mas, na prática, essa interferência foi “mínima”.
Tanto Petrobras quanto Banco do Brasil acumulam altas bem significativas ao longo de 2023. A petrolífera sobe quase 80%, especialmente devido à alta do petróleo no exterior. Os riscos de que as guerras entre Rússia e Ucrânia e entre Israel e o Hamas afetem a oferta da commodity têm ajudado a manter o preço no alto, especialmente com a demanda ainda forte. As ações do banco, por sua vez, se valorizaram mais de 50% em 2023, especialmente devido aos fortes resultados apresentados.
A Petrobras, inclusive, passou seu primeiro grande revés devido a temores políticos neste ano bem recentemente. No começo da semana passada, a companhia anunciou que enviaria aos acionistas uma proposta que exclui vedações para a indicação de administradores prevista na Lei das Estatais. A medida provocou o receio de que houvesse interferência política na indicação de executivos e derrubou os papéis da empresa no pregão da última segunda-feira (23). Nos pregões seguintes, no entanto, as ações já se recuperaram um pouco, mesmo que o temor ainda exista.
Antes do governo Lula começar, as apostas dos analistas para quem queria se expor ao setor petroleiro sem se expor a riscos políticos era a Prio. E a companhia vem, sim, registrando uma boa performance neste ano, com alta de quase 30%. Ainda assim, ela continua perdendo da Petrobras.
Já no caso dos bancos, os analistas indicavam o Bradesco como uma boa aposta no caso de uma vitória petista. Isso porque, além de o banco não estar exposto a riscos políticos como o Banco do Brasil, ele também tem uma carteira mais exposta à baixa renda e poderia se beneficiar de eventuais ações do governo de incentivo ao crédito e consumo. No ano, porém, as ações do banco estão bem perto da estabilidade.
Mas se as estatais trouxeram surpresas positivas, as demais apostas feitas no ano passado após a vitória de Lula seguiram o esperado.
Naquela altura, analistas afirmavam que companhias do setor de construção, especialmente as voltadas para a baixa renda, poderiam se beneficiar. Isso porque o governo petista já tinha um histórico positivo nesse sentido por ter investido em programas de incentivo à compra de imóveis, como o “Minha Casa, Minha Vida” (MCMV), criado para atender à população mais pobre.
Dentre as favoritas dos analistas naquela época, estavam as ações da Direcional e da MRV. De fato, neste ano, as duas acumulam altas de aproximadamente 13% e 14% em 2023, respectivamente. Nantes, da ASA, explica que muitas mudanças no MCMV promovidas pelo governo ajudaram nesse desempenho, como o novo limite de valor do imóvel que pode ser financiado e a redução na taxa de juros.
“O governo deu mais subsídios para famílias de baixa renda comprar imóveis. Ele aumentou o preço que pode comprar os imóveis, aumentou o prazo de financiamento e abaixou a taxa de juros. A mensalidade caiu então cabe mais no bolso do comprador, o que beneficia essas empresas”, afirma Nantes.
Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, reforça que o segmento já vinha sendo incentivado pelo governo Bolsonaro e ganhou ainda mais escala no governo Lula. “O setor de construção que atende MCMV foi o mais bem projetado, porque no governo anterior já havia uma flexibilização das regras, tanto em relação ao valor do imóvel quanto em relação à renda da família elegível, e isso foi ampliado no começo desse ano”, diz.
Os analistas destacam, porém, que a queda na taxa de juros também ajudou o mercado como um todo. Não à toa, outras companhias do segmento, ainda que sejam voltadas para um público mais abastado, também têm se saído bem neste ano. A Cyrela e a Eztec, construtoras que além da MRV, também estão no Ibovespa, subiram cerca de 51% e 15%, respectivamente, no ano.
“Alguns setores foram beneficiados em geral, como foi o caso da construção civil. Tanto as empresas de médio e alto padrão quanto as voltadas para baixa renda tiveram altas expressivas”, afirma Phil Soares, chefe de análises de ações da Órama. Ele explica que parte disso veio da própria mudança macroeconômica, como a queda da inflação e dos juros. “A gente vinha de uma inflação de insumos alta para construtoras, e agora que isso se estabilizou, as companhias estão em uma situação muito melhor”, completa Soares.
Outro segmento que o mercado já esperava incentivos por parte do governo era o de educação, tendo em vista que programas como o ProUni e o Fies foram lançados em outros mandatos do PT. A aposta principal dos analistas no segmento para se beneficiar deste governo era a Yduqs, mas alguns especialistas também apontaram a Cogna como possível beneficiada. No ano, a Yduqs acumula alta de mais de 80% e a Cogna sobe cerca de 19%.
Por fim, outras duas companhias que entravam nas indicações da “Carteira Lula” eram a Eletrobras e o Grupo Casas Bahia (ex-Via Varejo). A primeira, recentemente privatizada, foi indicada devido à sua capacidade de navegar em um cenário de juros mais altos devido à sua demanda perene e possibilidade de repassar seus custos maiores ao consumor. Já o Grupo Casas Bahia foi indicado, assim como o Bradesco, por sua exposição a classes mais baixas e poderia se beneficiar de eventuais programas de incentivo ao consumo.
No ano, porém, as duas estão com desempenho negativo. E não é pouco: Eletrobras acumula queda de mais de 15% e Grupo Casas Bahia já caiu quase 80%.
O que vem por aí
Ainda que muitas das ações da “Carteira Lula” estejam com desempenho positivo no ano, os analistas pedem cautela na hora de investir. Especialmente devido ao cenário macroeconômico e ao exterior.
Se por um lado os juros caindo tendem a beneficiar o contexto interno, a alta de juros nos Estados Unidos tem promovido uma verdadeira fuga de capital de ativos e países mais arriscados rumo à segurança dos títulos públicos norte-americanos (que, com juros maiores, têm oferecido não só um escudo, como rendimentos maiores).
“Estamos vendo uma tendência positiva na bolsa, vamos fechar o ano com valorização e acho que no ano que vem também. A dúvida é se no ano que vem ela vai conseguir superar bastante a taxa de juros, porque neste ano, não deve conseguir. No ano que vem, já veremos o impacto de juros menores nas empresas, em suas dívidas, nos seus balanços, então o cenário pode ser melhor”, afirma Cruz, da RB Investimentos.
Nantes, da ASA, também vê um cenário positivo nos próximos 12 meses, justamente devido ao “poder” do corte na taxa de juros. Por isso, ele afirma que pode ser interessante para o investir se expor justamente a empresas e setores mais impactados por uma Selic menor, como o de shoppings centers. “Gostamos bastante de Multiplan, Iguatemi. Também olhamos para outras empresas ligadas ao setor doméstico, como a Localiza”
Ainda que o cenário ainda seja nebuloso, especialmente devido ao que vem lá de fora, o momento é de mais otimismo em relação à bolsa no ano que vem, principalmente pela queda dos juros. A cautela, no entanto, não deixa de ser necessária.
Foto reproduzida da Internet
Deixe uma resposta