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Baú de um Repórter

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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Geral

Destaque das revistas

Veja

É muita cara de pau!

O ex-datilógrafo Agaciel Maia é um personagem-chave da crise que sacudiu o Senado no ano passado. Diretor-geral da instituição durante catorze anos, Agaciel perdeu o cargo quando se descobriu que era dono de uma mansão, avaliada em 5 milhões de reais, nunca declarada à Receita Federal. A casa, soube-se depois, era apenas um detalhe em sua biografia. Agaciel era o principal operador da máquina que produzia contratos superfaturados e nomeava funcionários-fantasma, por meio de atos secretos, em benefício de um seleto grupo de políticos. Seu poder era tão incontrastável que, mesmo sendo um mero burocrata, era tratado como o 82° senador.

Apesar dos escândalos em que estava me-tido, Agaciel conservou o emprego de servidor e o salário de 23 000 reais. Mas não ficou totalmente satisfeito. Agora, depois de um ano de recolhimento, o ex-diretor está decidido a entrar de vez no mundo da política – universo que, em duas décadas de convivência com o poder, aprendeu a conhecer como poucos. Tratando-se de Agaciel Maia, o risco de isso acabar dando certo para ele não é desprezível.

As negociações em torno do novo projeto estão adiantadas. Agaciel já decidiu que disputará um mandato pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), sigla que elegeu o ex-deputado Clodovil Hernandes em 2006. Só está em dúvida em relação ao cargo. Sua ideia inicial era eleger-se deputado federal no Rio Grande do Norte, onde cresceu e de onde saiu há quase quatro décadas. Mas, diante do alto risco e do custo elevado, seria uma aventura temerária mesmo para alguém impetuoso como ele. O mais provável é que dispute uma das 24 cadeiras da Câmara Distrital de Brasília, cujos parlamentares se no-ta-bilizaram por esconder propinas em lugares exóticos, como meias. O PTC estima que seu mais novo candidato possa conquistar cerca de 10 000 votos. Seu sistema propulsor seria formado por servidores do Senado – casta que Agaciel sempre privilegiou e da qual é uma espécie de ídolo. “É a minha turma”, confirma o ex-diretor.

Época

Por dentro da cabeça do craque

O público quer ver golaços, jogadas improváveis e dribles impossíveis na Copa do Mundo que começa nesta sexta-feira, dia 11, na África do Sul. Foi assim na Copa de 1958, da Suécia, quando Pelé, com apenas 17 anos, deu um chapéu em um adversário e fez um gol inesquecível na final. E em 1986, no México, quando Maradona driblou toda a defesa da Inglaterra desde o meio de campo e marcou um dos mais belos gols da história do futebol. E também em 2002, no Japão, quando Ronaldo, superando duas cirurgias no joelho, teve raciocínio rápido para aproveitar um rebote do goleiro alemão Kahn e abriu o placar na decisão contra a Alemanha.

Nesta Copa, os torcedores esperam ver jogadas assim sair dos pés do brasileiro Kaká, do português Cristiano Ronaldo ou do argentino Lionel Messi; ou então testemunhar as brilhantes defesas do goleiro brasileiro Julio César. Todos sabem que, em comum, eles têm um preparo físico excepcional, agilidade e força. Agora, segundo alguns dos mais avançados estudos da ciência do esporte, começa a ficar claro que todos eles também são donos de um cérebro com desempenho acima da média. O segredo da genialidade dos jogadores de futebol não está nos pés, mas – como para todos os gênios da humanidade, de Einstein a Mozart – na cabeça.

IstoÉ

“Podemos antecipar o futuro”

Marina Silva, em entrevista exclusiva, diz que não está nem à direita nem à esquerda, mas à frente e que levará o Brasil à condição de potência ambiental

Marina Silva gosta de conceitos. Muitas vezes, parece uma professora aplicada, disposta a entrar em minúcias para se fazer entender pelos alunos. É sempre firme, mas também sempre simpática. A campanha eleitoral não mudou seu jeito. Ela retocou a pintura, não ajeita mais os cabelos num coque muito alto e ainda gosta dos vestidões que chamavam a atenção mesmo quando frequentava o colégio de freiras. Magérrima e bem-humorada, ela conta que algumas fãs a abordam de um modo surpreendente: “Sabe o que mais invejamos na senhora? São suas saboneteiras.” Marina diz que jamais pensou em ser elogiada pelas clavículas salientes.

Junto com o candidato a vice, o empresário Guilherme Leal, Marina explicitou seus planos para o Brasil numa entrevista exclusiva à equipe de editores e articulistas de IstoÉ. A seguir, publicamos os principais trechos da entrevista:

IstoÉ – A candidata Dilma Rousseff se apresenta ao eleitor como a extensão do governo Lula. Serra como uma espécie de pós-Lula. E a sra., como se define?
Marina – Eu acho que pós-Lula todos somos. O Brasil está fechando um ciclo de 16 anos em que conseguimos estabilidade econômica e quebramos o paradigma de que primeiro tinha que crescer para depois dividir o bolo. Neste período, se distribuiu e cresceu ao mesmo tempo. Mas o que a gente faz com isso? Considera o fim da história ou, em cima desse acúmulo positivo, se transita para o futuro? Temos dito que não estaremos nem à esquerda nem à direita, estaremos à frente. Porque é disso que o Brasil e o mundo precisam: integrar as conquistas do século XX para transitar para o que chamamos de economia do século XXI.

IstoÉ – A sra. acha que temos condições de fazer isto?
Marina – O Brasil é o país que reúne as melhores condições. Já somos um país industrializado, com uma base de conhecimento e um avanço tecnológico razoáveis, e temos a imensa vantagem de nossos recursos naturais. O Brasil pode ser neste século XXI aquilo que foram os EUA no século passado. Mas para isso precisamos, além de ter essa visão generosa de um país capaz de integrar desenvolvimento e preservação dos recursos naturais, criar o processo e as estruturas adequadas para encaminhar esta visão.

IstoÉ – A sra. se considera a candidata ideal para implementar este futuro?
Marina – Seria muito pretensioso eu dizer que sou a candidata que antecipa o futuro. Mas participo deste movimento que acha que é preciso antecipar o futuro. É o futuro das energias limpas.

IstoÉ – Ao final de quatro anos a sra. acredita que poderá se orgulhar de ter feito o quê?
Marina – Já estou orgulhosa por termos feito o Brasil se posicionar de acordo com as exigências deste século, que já sabe que os recursos naturais são finitos. E já sabe que o nosso grande diferencial é contarmos com 11% da água doce do planeta e 22% das espécies vivas. Temos a maior área terrestre isolada do planeta e uma grande parte agricultável. Eu me sentirei orgulhosa se o Brasil for capaz de se colocar no lugar de potência ambiental.

IstoÉ – E como se caminha para isto?
Marina – Precisamos criar uma nova narrativa para os nossos produtos. Basta fazer o dever de casa, passando no teste e não mudando o teste como tentaram fazer aqui. Quando as pessoas falavam que o governador Blairo Maggi tinha se convertido ao ambientalismo, eu passava por cética. É que eu sabia o que estava acontecendo em Mato Grosso. Saí do governo porque o governador de Mato Grosso queria contrapor os dados do Inpe, que acompanha desmatamento com altíssima tecnologia, reconhecida no mundo inteiro, aos de uma Secretaria de Meio Ambiente que tinha acabado de ser criada. O secretário, por sinal, foi agora preso numa operação. Eles estavam fazendo apenas fraude política com a questão ambiental e prejudicando o agronegócio do Brasil. Mas saí vitoriosa e quem fez a opção pelo que dizia o Mangabeira, pelo que dizia o Blairo e pelo que dizia o ministro da Agricultura, se não está politicamente derrotado, eticamente está.

IstoÉ – A sra. ficou chocada com o que enfrentou no governo?
Marina – Não consigo me vitimizar nessa relação. Não quero fazer isso. Nunca vou fazer isso. Eu tinha grandes aliados: os ministros Ciro Gomes, Luiz Dulci, Tarso Genro, Márcio Thomaz Bastos. O ministro da Defesa sempre foi meu aliado também. Seria impossível prender 725 pessoas, fazer 25 operações da Polícia Federal, acabar com 1.500 empresas criminosas, inibir 35 mil propriedades de grilagem na Amazônia se não contasse com uma base de apoio.

IstoÉ – Seu maior enfrentamento não foi com a ministra Dilma, então?
Marina – Não posso reduzir a questão à Dilma. Eu discutia as questões de mérito com os ministros dos Transportes, de Minas e Energia, da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Ciência e Tecnologia.

IstoÉ – Nestes momentos a sra. já pensava em sair candidata à Presidência da República?
Marina – Não. Para mim isso se colocou como uma equação a ser resolvida quando o PV me fez oficialmente o convite.

CartaCapital

Dilma solta o verbo

Um enorme painel da candidata ao lado de seu mentor, o presidente Lula, punhos cerrados no ar, emoldura o cenário da entrevista. Dilma Rousseff posta-se bem à frente da própria imagem. Desconfortável no início com perguntas pessoais, ela se solta aos poucos, enquanto defende as realizações do atual governo e explica o que pretende fazer se eleita. Basicamente, aprofundar o processo de inclusão social que, afirma, não se esgota em um ou dois mandatos. Talvez por isso, ao se referir a uma eventual gestão sua, prefira a palavra “período”. No centro desse “período”, promete, estará o compromisso de levar o país ao clube das nações desenvolvidas, com a erradicação da miséria, o foco na educação e na cultura. “Minha meta é levar nossa população à classe média, no mínimo.”

Dilma não é Lula. É uma discípula, uma aluna. Mas uma aluna aplicada, vê-se. Como nunca disputou eleição, a ex-ministra da Casa Civil replica o “mestre” ao usar o recurso de contar historinhas nas respostas por vezes pouco concisas. Também se percebe na candidata o cuidado de evitar certas polêmicas durante a campanha, o que não inclui fugir às perguntas sobre seu envolvimento na luta armada durante a ditadura. “Tenho muito orgulho de ter resistido do primeiro ao último dia.”

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