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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

por Aquiles Lins, no Brasil 247
O Datafolha divulgou neste sábado (16) uma nova pesquisa sobre a corrida presidencial de 2026 apontando crescimento do presidente Lula em cenários contra os pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema, e manutenção de empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro. Confira todos os números aqui.
Na semana com a maior bomba política que explodiu no clã bolsonarista, o instituto encerrou o campo antes da divulgação das revelações envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, epicentro do escândalo do Banco Master. A pesquisa foi realizada entre terça-feira (12) e quarta-feira (13). O instituto ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros.
Ficou curioso, para usar um eufemismo. Afinal, como divulgar uma pesquisa presidencial sem medir o impacto do maior escândalo político-eleitoral das últimas semanas? Esta fotografia servirá de que?
O novo capítulo do escândalo do BolsoMaster veio à tona no dia 13 de maio, quando o Intercept Brasil divulgou áudios em que Flávio Bolsonaro aparece cobrando recursos milionários de Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, inspirado em Jair Bolsonaro. Em um dos trechos, Flávio demonstra preocupação com pagamentos atrasados e pressiona o banqueiro por mais dinheiro.
O caso ganhou proporções nacionais porque Vorcaro é o personagem central do colapso do Banco Master, investigado pela Polícia Federal em um esquema bilionário que envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, lobby e fraude financeira.
Ora, não é pouca coisa. Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência da República e vinha tentando se consolidar como principal nome da direita. Ao mesmo tempo, o próprio senador havia negado anteriormente proximidade com Vorcaro — algo que os áudios agora contradizem frontalmente e que ele foi obrigado a admitir.
Diante disso, a pergunta inevitável é: por que o Datafolha não quis estender o campo da pesquisa por mais 24 ou 48 horas? Institutos de pesquisa podem adaptar cronogramas diante de acontecimentos extraordinários capazes de alterar o humor do eleitorado. E poucos fatos recentes possuem potencial tão explosivo quanto um presidenciável ligado a um banqueiro acusado de protagonizar um rombo bilionário, pedindo cifras milionárias para financiar um filme político-familiar, com fortes suspeitas de lavagem de dinheiro.
O mínimo que se esperava era prudência metodológica.
Ao optar por divulgar uma pesquisa que não captura o impacto do escândalo, o Datafolha entrega ao debate público um retrato incompleto da realidade política. É como medir a temperatura de um paciente antes do início da febre e apresentar o resultado como diagnóstico definitivo.
O ponto central é simples: ninguém sabe ainda qual será o tamanho real do impacto eleitoral do caso Flávio-Vorcaro. Mas exatamente por isso o Datafolha deveria ter medido esse impacto antes de publicar sua pesquisa. Neste caso específico, o levantamento nasce envelhecido.
Ao não fazê-lo, deixou no ar uma sensação desconfortável de pressa — ou de seletiva cegueira estatística. Porque, neste momento, a questão não é apenas o que a pesquisa mostrou. É principalmente aquilo que ela escolheu não mostrar.
* Aquiles Lins é colunista do Brasil 247, comentarista da TV 247 e diretor de projetos especiais do grupo
Fotos reproduzidas da Internet
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